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Brasil “Já demos uma trava na Petrobras”, disse o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a um caminhoneiro em gravação

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Motivo do prazo são ajustes de detalhes técnicos pela equipe econômica, segundo ministro-chefe. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em uma mensagem de áudio enviada a um caminhoneiro, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comentou medidas articuladas pelo Palácio do Planalto para atender demandas da categoria que paralisou o país em maio do ano passado e afirmou ao interlocutor que o governo havia dado uma “trava” na Petrobras para evitar reajustes de combustíveis com frequência inferior a 15 dias.

O áudio, revelado pela revista Veja, viralizou em grupos de conversas de caminhoneiros em aplicativos de mensagens. Não é possível identificar a data em que a mensagem foi enviada, mas, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o caminhoneiro Marconi França disse que era o interlocutor do áudio enviado pelo chefe da Casa Civil e informou que a mensagem foi trocada em 27 de março. “Já demos uma trava na Petrobras. Qualquer modificação de preço, no mínimo entre 15 e 30 dias, não pode ter menos que isso”, declarou Onyx ao caminhoneiro, dando a entender que o governo interveio na petroleira.

Em 26 de março, véspera da data em que o ministro enviou a mensagem ao caminhoneiro, a Petrobras informou, em um comunicado ao mercado, que a diretoria da petroleira havia aprovado mudanças na periodicidade de reajuste nos preços do diesel vendido para as refinarias. Na ocasião, os preços passaram a ser reajustados, no mínimo, a cada 15 dias. Com o fim do governo Michel Temer, a petroleira havia voltado a reajustar os combustíveis em intervalos sem frequência mínima, de acordo com as oscilações do barril de petróleo no mercado internacional e também considerando as varições da cotação do dólar. A mudança ocorreu com o fim do programa de subsídios lançado pelo governo Temer após a greve dos caminhoneiros.

Fiscalização

No áudio, Onyx Lorenzoni também destacou ao interlocutor que o governo iria para cima da fiscalização – sem esclarecer qual seria essa fiscalização. Segundo o chefe da Casa Civil, o presidente Jair Bolsonaro estava trabalhando para melhorar as condições dos caminhoneiros e, no dia seguinte ao diálogo, tinha programado uma manifestação de apoio à categoria em uma transmissão ao vivo em uma rede social. “Por outro lado, nós também tamo resolvendo aquela questão dos postos e nós vamos pra cima da fiscalização, tá?”, enfatizou o ministro.

No dia seguinte, 28 de março, Bolsonaro comentou em uma “live” em uma rede social sobre a fiscalização dos radares eletrônicos instalados na rodovias. Na transmissão pela internet, o presidente também detalhou, entre outros pontos, sobre o cartão caminhoneiro, que permitirá a compra antecipada de até 500 litros de combustível para ser usado durante o trajeto.

“Vamos agora à questão dos caminhoneiros. Antes dizer o seguinte: eu, enquanto pré-candidato, em alguns momentos, estive com os caminhoneiros do Brasil, estive em Gramado, no Rio Grande do Sul, estive também no Rio de Janeiro e aqui em Brasília. Tinha naquele tempo a questão do eixo levantado, que cobravam pedágio. No governo anterior esse assunto foi resolvido. Também uma reclamação na multagem [sic] eletrônica. O que eu acertei com o ministro Tarcísio [Gomes de Freitas, da Infraestrutura]? Nós não queremos mais novos pardais no brasil que visam aí a cobrança eletrônica, cobrança não né, multagem eletrônica, não queremos mais isso.” Três dias depois, o presidente anunciou a suspensão da instalação de novos pardais nas rodovias federais administradas pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).

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