Segunda-feira, 01 de Junho de 2020

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Brasil Janot aponta Blairo, da Agricultura, como líder de organização criminosa

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Ministro da Agricultura ocuparia função de liderança em organização. (Foto: Reuters)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, “a função de liderança mais proeminente na organização criminosa” delatada pelo ex-governador de Mato Grosso SIlval Barbosa (PMDB). O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para investigar Blairo.

A solicitação tem como base a delação de Silval. O ministro da Agricultura é alvo da Operação Ararath, deflagrada em 2014, para investigar desvio de recursos públicos no Governo de Mato Grosso. Janot atribui ao ministro ‘tentativas de interferir’ na Ararath entre 2014 e 2017.

O procurador citou o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso José Geraldo Riva.

“Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de Blairo Borges Maggi, o qual exercia  incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio Silval Barbosa e José Geraldo Riva.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo da delação de Silval e autorizou a abertura de um inquérito para apurar uma organização criminosa que se instalou na alta cúpula do governo do Mato Grosso, de acordo com o relato de Janot.

A decisão de Fux foi tomada nesta quinta-feira, 24, e atende a pedido da Procuradoria-Geral da República. O ministro Fux havia homologou a delação no dia 9 de agosto, uma semana após de ter dito que ela seria “monstruosa”.

Segundo Janot, Silval Barbosa “menciona fatos típicos praticados por autoridades detentoras de prerrogativa de foro, dentre elas o Deputado Federal Ezequiel Fonseca, Deputado Federal Carlos Bezerra, o Senador da República José Aparecido Santos, o Senador da República Wellington Fagundes e o Ministro de Estado e Senador da República licenciado Blairo Borges Maggi”.

A PGR afirma que, segundo Silval, seu ex-chefe de gabinete Sílvio Cezar Correa Araújo, entre 2007 e 2010, praticou “inúmeros crimes contra a administração e lavagem de dinheiro”.

Silvio Cézar Correa Araújo é uma das outras quatro pessoas a firmarem acordo de delação premiada, além de Silval Barbosa. Os outros delatores são Roseli de Fátima Meira Barbosa, esposa do ex-governador do Mato Grosso, Rodrigo da Cunha Barbosa e Antônio da Cunha Barbosa.

Vídeo

Como forma de corroboração à sua delação premiada, Silval entregou à Procuradoria-Geral da República vídeos que mostram políticos do estado recebendo dinheiro vivo.

O ex-governador alega que as gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete Silvio Cesar. Ele seria o funcionário responsável por entregar os valores. O dinheiro, segundo o ex-governador, era de esquemas de propina no estado.

Entre os políticos flagrados estão o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), que chegou a colocar tantas notas em seus bolsos que parte delas caiu no chão e agachou-se para juntar.

O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) aparece nas imagens recebendo o dinheiro em uma caixa de papelão. O então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) é flagrado com os maços em uma mala. A atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra (PSB) aparece levando dinheiro na bolsa, e o ex-deputado estadual Alexandre César (PT) em uma mochila. (AE)

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