Domingo, 05 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de maio de 2017
Políticos gaúchos foram citados pela JBS em delação premiada. Eles teriam recebido vantagem indevida da empresa. Os políticos são os deputados Alceu Moreira (PMDB), Onyx Lorenzoni (DEM), Jerônimo Goergen (PP), o ex-deputado e ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira e o ex-deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). Eles foram citados por Joesley Batista e Ricardo Saud. O deputado Onyx Lorenzoni, admitiu na tarde desta sexta-feira (18) ter recebido dinheiro. Segundo ele, para “fechar suas contas sem dívidas”.
O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), também teve o nome citado na delação de Ricardo Saud. Durante a eleição de 2014, a campanha de Sartori recebeu 1,5 milhão de reais da empresa a pedido de Aécio Neves, como parte de propinas pagas ao mineiro.
Apesar da doação ter sido declarada à Justiça Eleitoral, disse Saud, o dinheiro é originado de um “crédito de propina” pago pela empresa para que a campanha de Aécio Neves para a presidência, também em 2014, “comprasse” o apoio de partidos.
Sartori respondeu por meio de nota. “A doação da JBS para minha campanha foi declarada e com recibo, dentro da legalidade. Repudio qualquer tentativa de me envolver nesse caso. Nunca participei desse mar de lama. E o povo gaúcho pode ter certeza de que não haverá nada que prove em contrário. Minha honra é meu maior patrimônio. Faz parte da minha criação fazer a coisa certa. Não aceito a generalização. Não me misturem com essa gente. Pratico e sempre pratiquei a política da seriedade, da integridade e da transparência. A coordenação da campanha já se pronunciou e está à disposição para prestar qualquer esclarecimento. Espero que haja responsabilidade na abordagem do assunto, com investigação e punição rigorosa para os culpados.”
Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne Bovina, teria entregue dinheiro a Moreira, Onyx e Goergen no Rio Grande do Sul.
A JBS teria relatado pagamento de R$ 200 mil em espécie ao deputado Alceu Moreira no dia 27 de agosto de 2014. Da mesma forma também em dinheiro vivo, teria sido entregue o mesmo valor a Onyx Lorenzoni em 12 de setembro de 2014. Goergen teria recebido no mesmo dia R$ 100 mil.
Em 2014 teriam sido destinados a Ferreira outros R$ 200 mil, pagos em 2 de outubro por nota avulsa emitida pela Gráfica e Editora Comunicação Impressa. É citada inclusive o número da nota fiscal.
O único dos citados a citar declarações oficiais da JBS foi Jerônimo Goergen. Ele informou à Justiça Eleitoral cinco repasses da JBS, por meio da direção nacional do partido, no valor de R$ 850 mil em 2014. Nenhuma das doações no entanto batem com relação às datas.
Os delatores afirmaram que os pagamentos financiariam tanto por caixa 2 como por doações oficiais as campanhas eleitorais. Os pedidos chegariam via Saud, que encaminhava a doação a Joesley, que autorizava os repasses. Os políticos ajudariam a empresa e não criariam embaraços aos interesses do grupo.
Paulo Ferreira e Alceu Moreira aparecem ainda numa planilha da JBS, batizada de “Repasse não contabilizado a partidos políticos”. Há 14 políticos nesta lista. Na planilha, não há menção aos valores repassados a cada político nem as datas em que os pagamentos teriam sido efetuados.
Ricardo Saud, teria relatado em depoimento à Procuradoria-Geral da República, que o formato de pagamento era definido individualmente por cada político, podendo ser tanto por meio de doação oficial de campanha ou em caixa 2, com notas fiscais avulsas ou pagando em dinheiro vivo.
Saud não citou detalhes e nem o valor do pagamento feito a Beto Albuquerque. Apenas disse que o ex-deputado integrou a lista de pagamentos da empresa. “Vou fazer aqui para você agora partidos que nós demos dinheiro, para quem foi, por que foi, e vamos chegar a esses que estou te falando, vamos chegar até no vice da Marina Silva, que aí o Beto Albuquerque foi ser o vice da Marina e foi interino presidente do PSB”, declarou.
Admissão
Onyx Lorenzoni admitiu ter recebido dinheiro da empresa. Segundo ele, a legislação permitia receber apoio de empresas. Afirmou precisar de ajuda e que não havia como declarar, que errou.
O deputado foi relator do projeto de lei das 10 Medidas contra Corrupção, que entre os pontos, pede para que o Caixa 2 seja criminalizado.
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