Quarta-feira, 27 de Maio de 2020

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Brasil João de Deus recomendava abstinência sexual aos pacientes em tratamento

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Acusado por mais de 500 mulheres de abuso, o médium aconselhava 40 dias sem sexo para quem se submetia às cirurgias espirituais. (Foto: Divulgação)

O mesmo médium que é acusado de abuso por mais de cinco centenas de mulheres recomendava a seus pacientes, desde a década de 1990, abstinência de sexo até 40 dias após o tratamento. Segundo João de Deus, que está preso preventivamente, este período é uma referência simbólica aos 40 dias que Jesus Cristo passou jejuando no deserto.

Na prática, a abstinência serviria para evitar um dispêndio desnecessário de energia, o que facilitaria a recuperação dos doentes submetidos às intervenções cirúrgicas espirituais.

Esses cuidados pós-operatórios estão registrados no livro Curas Paranormais Realizadas por João Teixeira de Faria, monografia feita em 1997 pela pesquisadora Alfredina Savaris, com a autorização do médium. O livro tornou-se uma espécie de manual sobre o funcionamento da Casa Dom Inácio de Loyola, o local onde eram feitas as curas mediúnicas do guru em Abadiânia.

Além de sexo, o médium recomendava os pacientes a evitarem carne de porco, pimenta, bebidas alcoólicas e ovo, “segundo orientação dos espíritos”.

No livro, João de Deus se autodefine: “Se eu fosse perfeito, não estaria nesta missão na Terra. Devo ter sido um grande pecador. Estou me preparando para outras encarnações”.

Na época, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Juiz de Fora (MG), citados no livro de Alfredina, definiram o médium como um homem que possui uma personalidade forte, “sendo muitas vezes impulsivo e rude”.

Depois de testemunharem várias sessões de cura, os pesquisadores concluíram: “Os espíritos que se manifestam possuem comportamentos variados: alguns são dóceis e amáveis, outros são ríspidos e mal-humorados”. O livro não traz detalhes sobre as atividades dos espíritos “ríspidos e mal-humorados”.

Justiça

João de Deus teve o pedido de habeas corpus negado liminarmente pela Justiça de Goiás nesta terça-feira (18). Os advogados estudam pedir a troca da prisão preventiva por outra medida, como prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. O médium está detido no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia desde o último domingo (16). Ele é acusado por mais de 500 mulheres de abuso sexual, mas as investigações se concentram, num primeiro momento, em quinze casos.

Acusações

Os casos de supostos abusos cometidos por João de Deus começaram a se tornar públicos no sábado (8), após 13 supostas vítimas relatarem violações à TV Globo e ao jornal O Globo.

Na segunda (10), Aline Sales, 29, contou à Folha de S.Paulo que esteve na casa dom Inácio em 2012, foi levada para um banheiro, posta de costas e que João de Deus colocou a mão dela em seu pênis.

Desde então, a força-tarefa montada pelo Ministério Público de Goiás recebeu 506 relatos de supostos abusos cometidos pelo médium. A maioria chegou por e-mail e as denunciantes estão sendo chamadas a prestar depoimentos.

 

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