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Mundo Joe Biden convida presidente argentino para visita a Washington após a Cúpula das Américas

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Presidente argentino pretende dar sinais de austeridade e quer mais agilidade no Gabinete naquela que pode ser a sua última chance de melhorar contas públicas. (Foto: Reprodução/Twitter)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convidou o líder argentino Alberto Fernández para uma visita a Washington, marcada para julho, que ocorrerá em meio a atritos com o governo do Brasil e após uma reunião regional já marcada por polêmicas.

O convite foi feito durante uma conversa telefônica entre os dois líderes, ocorrida na noite de quarta-feira. Segundo o comunicado da Casa Branca, os dois tratarão de temas “bilaterais, regionais e globais, especificamente os direitos humanos, insegurança alimentar, mudanças climáticas e energia, inovação tecnológica e cadeias de suprimentos”. Os temas, não só em relação à Argentina, fazem parte da agenda prioritária do governo Biden.

Ainda segundo a Casa Branca, Biden “reiterou que a relação dos EUA com as Américas é baseada na parceria, respeito mútuo e em um objetivo conjunto de promover uma recuperação verde e igualitária da pandemia da covid-19”.

De acordo com a porta-voz da Casa Rosada, Gabriela Cerrutti, Fernández expressou sua preocupação com a crise no fornecimento global de alimentos, intensificada pelo conflito na Ucrânia – antes da guerra, russos e ucranianos eram responsáveis por fatia considerável dos estoques de grãos, como o trigo, e fertilizantes. Segundo Cerrutti, o presidente argentino mencionou uma frase dita pelo Papa Francisco, também na quarta-feira, para reiterar sua posição: “não se pode usar o trigo como arma”.

Há quatro meses, Alberto Fernández estava frente a frente com aquele que, hoje, é o maior algoz do governo Biden: o presidente russo Vladimir Putin. Em viagem a Moscou, Fernández chegou a afirmar que a Argentina poderia ser “a porta de entrada para a Rússia na América Latina”. Os países intensificaram suas relações desde a posse do atual presidente e, durante a pandemia, os russos forneceram vacinas Sputnik V, desde meados do ano passado também fabricadas em solo argentino.

Segundo fontes consultadas pelo jornal La Nación, essa aproximação com Putin, no momento em que a invasão da Ucrânia se mostrava cada vez mais possível, pôs um freio nos planos para um encontro bilateral entre Fernández e Biden. Para piorar, dias depois o líder argentino foi para a China, onde oficializou a entrada da Argentina na iniciativa Cinturão e Rota, um plano global de investimentos que está no centro da política externa chinesa.

Nas últimas semanas, houve um trabalho de reaproximação entre Washington e Buenos Aires, que culminou com a visita de um enviado especial da Casa Branca, o ex-senador Christopher Dodd, a Buenos Aires, na semana passada. Não se sabe se a confirmação da reunião bilateral estava na pauta, que trazia uma questão bem mais urgente para o governo Biden: a Cúpula das Américas, prevista para a semana que vem.

Apesar de a lista de convidados não ter sido divulgada pela Casa Branca, se sabe que os líderes de Cuba, Miguel Díaz-Canel, da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Nicarágua, Daniel Ortega, não estão entre os presentes, o que provocou uma onda de críticas e ameaças de um evento esvaziado em Los Angeles.

A começar pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que prometeu não comparecer ao encontro caso houvesse alguma nação excluída, uma atitude similar à adotada pelo líder da Bolívia, Luis Arce. Os governos de Honduras e da Comunidade de Estados do Caribe, a Caricom, não confirmaram presença, enquanto Fernández e o presidente chileno, Gabriel Boric, participarão do encontro, mas devem expressar seu descontentamento com as exclusões, um chamado feito pelo líder argentino há cerca de um mês, e que foi reiterado pela Casa Rosada nesta quinta-feira.

“O que o presidente [Alberto Fernández] defende é que não haja exclusões na América Latina”, disse a porta-voz da Presidência. Ela também descartou rumores de que a Argentina realizaria uma reunião paralela da Celac, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, como forma de protestar contra Washington.

A Argentina ocupa a presidência rotativa da organização desde janeiro, e vem aproveitando o espaço deixado pelo Brasil no continente para expandir suas iniciativas diplomáticas e exercer um papel de liderança. Na quarta-feira, o chanceler alemão, Olaf Scholz, confirmou que Fernández será o único líder da América Latina convidado para a reunião do G-7, no fim do mês. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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