Os argumentos expostos ontem, na reunião da Comissão Especial do Impeachment do Senado, não vão alterar os votos, porque a maioria está definida e não voltará atrás. Como o pano do palco estava aberto, viu-se de tudo: vozes estridentes e um estado de alteração nervosa, além de um festival de obstruções.
Como haverá continuidade, as transmissões por TV precisam acrescentar uma tarja: não é recomendada para jovens em formação.
Os que assistirão só vão reforçar o conceito de que a Política é uma manifestação de grosserias e baixo nível.
O bate-boca não leva a nada, excetuando a chance que alguns aguardam para aparecer na vitrine da pseudofama.
NÃO PASSA
O vice-presidente Michel Temer propõe o fim da reeleição para demonstrar que rejeita a hipótese de se perpetuar no poder. Enfrentará obstáculo na Câmara, porque os deputados não querem contrariar interesses de governadores pretendentes ao segundo mandato e aos quais se subordinam.
TEM UMA COURAÇA
O PT estuda gratificar o autor de uma hipótese que fulmine o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Não adiantaram os ataques de mais de 100 deputados, dizendo que é “corrupto, gângster, bandido” entre outros xingamentos.
FECHOU A PORTEIRA
As pedaladas fiscais eram comuns até 1991: no aperto, as secretarias da Fazenda pegavam dinheiro dos bancos estaduais para pagamento posterior. A operação era conhecida pela sigla ARO (Antecipação de Receita Orçamentária). Depois, os impostos depositados pelos contribuintes eram canalizados para uma conta até completar o valor dado como empréstimo.
A prática prosseguiu até que o Banco Central constatou rombos. A ministra Zélia Cardoso de Melo, em uma de suas poucas iniciativas corretas, acabou com a festa. Mesmo assim, a maioria dos bancos estaduais quebrou, passando à iniciativa privada.
CAUSA E EFEITO
Nota divulgada pelo Ministério da Fazenda demonstra que o Rio de Janeiro é o que tem a folha mais pesada no País. Basta lembrar: em 2002, o governador Anthony Garotinho se vangloriou ao conceder o maior aumento salarial entre todos os estados. Para isso, antecipou o recebimento de royalties da Petrobras. Na esteira da iniciativa, garantiu a eleição de sua mulher Rosinha como governadora.
NA CONTRAMÃO
A secretária da Fazenda de Goiás está sendo chamada de Mulher Coragem. Ana Carla Abrão tem afirmado que o problema dos Estados não é o endividamento, mas a falta de controle nos gastos. Líderes empresariais gaúchos querem trazê-la a Porto Alegre para uma palestra.
QUEDA
Em 1972, durante o governo Euclides Triches, os investimentos chegavam a 29,6 por cento do total do orçamento. Atualmente, não passam de 2 por cento.
RÁPIDAS
* O perfil do ministério de Michel Temer será técnico. Por enquanto, não há indícios de concessões.
* Com a presidente Dilma no palanque, a 1º de maio, será um Dia Trabalhador exaltado.
* As ideias sobre Economia andam tão paradas que não adianta a recomendação: agite antes de usar.
