Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de fevereiro de 2018
Apesar do discurso petista de que “eleição sem Lula é golpe”, o ex-ministro José Dirceu tem admitido, em reuniões, a hipótese de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participar da corrida presidencial. Nas conversas com militantes, Dirceu tem traçado cenários até mesmo para o caso de prisão do ex-presidente.
Segundo Dirceu, Lula não pode simplesmente fazer suas malas e ir à carceragem se for condenado à prisão. Na sua opinião, “Lula tem que fazer um gesto” de resistência para demonstrar a gravidade do momento e estimular a ida dos militantes às ruas.
Ainda segundo interlocutores, Dirceu aposta no lançamento da candidatura do ex-governador da Bahia Jaques Wagner à Presidência caso Lula seja impedido de concorrer.
Na avaliação de Dirceu, Wagner tem trânsito no PT e nos partidos de esquerda, além de contar com um patamar eleitoral no Nordeste. Esse diagnóstico foi feito, no entanto, antes da ação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na segunda-feira (26) na casa do ex-governador, como parte da Operação Cartão Vermelho.
Embora a considere bem mais remota, Dirceu não descarta a possibilidade de Lula optar pela candidatura do ex-prefeito Fernando Haddad, desde que ele possa herdar os votos do ex-presidente no Nordeste.
Em seus cálculos, Dirceu afirma que o PT estará no segundo turno “com ou sem Lula”. Ex-presidente do PT, Dirceu tem feito críticas ao atual comando do partido. Ele tem criticado, particularmente, o fato de os principais dirigentes partidários serem candidatos nas próximas eleições.
Apesar de chamar a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), de combativa, Dirceu lamenta que a maior parte da cúpula partidária esteja, na sua opinião, dedicada à própria eleição em vez de focar sua energia na consolidação das bases partidárias.
Condenado na Operação Lava-Jato, Dirceu cumpre prisão domiciliar em Brasília, onde tem se reunido com militantes petistas e dirigentes de movimentos de esquerda.
Jaques Wagner
A Polícia Federal cumpriu na manhã de segunda-feira (26) mandados de busca e apreensão no apartamento do ex-governador da Bahia e possível candidato à Presidência pelo PT, Jaques Wagner.
As buscas foram feitas no âmbito da Operação “Cartão Vermelho”, que investiga supostas irregularidades nos serviços de demolição, reconstrução e gestão do estádio da Fonte Nova para a Copa do Mundo de futebol de 2014.
Segundo a Polícia Federal, o inquérito policial apurou a existência de irregularidades como fraude em licitação, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações da PF apontam que a licitação que resultou na parceria público-privada para construção e gestão do estádio teria sido direcionada para beneficiar o consórcio Fonte Nova Participações, parceria entre OAS e Odebrecht.
A obra, segundo laudo pericial, teria sido superfaturada em pelo menos R$ 450 milhões, em valores corrigidos. Parte dos recursos teriam sido destinados ao financiamento de campanhas eleitorais.
Os comentários estão desativados.