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Brasil José Eduardo Cardozo ganhou simpatia de antigos inimigos como defensor de Dilma

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Ao longo da semana, petistas dispensaram a Cardozo adjetivos como “brilhante”, “impecável” e “competente”. (Foto: Dida Sampaio/AE)

Há cerca de um mês, o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, era tachado pelos correligionários, entre eles o ex-presidente Lula, de “rendido”, “catastrófico”, “incapaz de impedir a fuga de duas tartarugas”, entre outros impropérios impublicáveis. Ao longo desta semana, no entanto, os petistas dispensaram a ele adjetivos como “brilhante”, “impecável” e “competente”.

A guinada na avaliação é de simples interpretação: Cardozo passou de gerente cuja influência sobre a PF (Polícia Federal) era tida como diminuta – a ponto de permitir que a Operação Lava-Jato batesse à porta de Lula e instalasse o caos no Planalto – a aguerrido advogado-geral da União, esperança de governistas para salvar a presidenta Dilma Rousseff do impeachment.

Em sustentações orais, Cardozo fustigou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com menções a contas na Suíça, e buscou desconstruir as acusações contra Dilma.

Cardozo, no entanto, nunca conquistou os corações e mentes de dirigentes petistas como José Dirceu ou Lula. A bandeira que defendia – da ética na política – era vista como pouco “sexy” e muita ingênua, por excluir noções marxistas do debate. Os críticos mais ferozes o classificavam como “udenista”, em referência ao partido conservador UDN.

Para alguns petistas, a explicação para a proporção tomada pela Operação Lava-Jato se assenta em tais convicções de Cardozo. O ministro teria convencido a presidente de que o livre avanço da operação a beneficiaria diretamente, porque fortaleceria sua imagem de “faxineira” e “gerentona implacável”. O marqueteiro João Santana teria sido partidário da ideia, até que foi vitimado por ela. Outra ala argumenta que as operações atingiram o coração do PT graças à desorganização de Cardozo, incapaz de montar uma boa equipe ou de punir agentes com viés partidário.

“Sou republicano, não acredito que os fins justificam os meios”, defende-se Cardozo, garantindo que não está magoado e tem boa relação com Lula.

Em 2010, ele planejava deixar a vida pública. Dilma não deixou. Considerada centralizadora, organizada, fã de apresentações em PowerPoint e irascível, ela não tinha traços de personalidade em comum com o bagunceiro, delegador, gentil e sedutor advogado. Ali, Cardozo entrou para o grupo dos leais escudeiros de Dilma, ao lado do assessor Giles Azevedo.

“Viajamos juntos o Brasil, e ela se divertia porque eu sempre tinha que comprar roupa, esquecia a mala. Perco os óculos todo dia, esqueço o carro. Tem gente que me acha louco”, diverte-se. (AG)

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