Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de agosto de 2015
Em despacho enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), o juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, afirmou que as investigações da Operação Lava-Jato identificaram indícios de que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) seria beneficiária de valores de possível natureza criminosa, recebendo pagamentos sem causa.
Segundo o documento, a senadora teria sido beneficiária do chamado “Fundo Consist”, empresa que teria atuado no desvio de recursos de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento – que era comandado pelo marido da senadora, o ex-ministro Paulo Bernardo.
Pelo menos 50 mil reais desse fundo em pagamentos do esquema teriam sido repassados em favor de Gleisi e de pessoas ligadas a ela, além do ex-ministro.
As apurações mostraram que os desvios envolviam os escritórios do advogado Guilherme Gonçalves, responsáveis pela coordenação jurídica das campanhas da petista, e o pagamento de propina ligado à atuação da empresa Consist no Ministério do Planejamento e ainda o uso de empresas de fachada.
Um documento apreendido durante as investigações indica que o pagamento de 50 mil reais de honorários pela Consist a Gonçalves em 29 de novembro de 2011. Ele teria acertado com Paulo Bernardo, que ficaria, segundo as investigações, com todo o valor.
“A anotação em questão, revelando que Guilherme precisaria da concordância de terceiro para ficar com os honorários pagos pela Consist, indica que os valores não se tratavam de fato de honorários”, dizem os investigadores.
Ex-ministra da Casa Civil do governo Dilma, Gleisi já é alvo de inquérito no STF que apura sua suposta ligação com o esquema de corrupção na Petrobras.
“Na busca e apreensão realizada no escritório de Gonçalves, foram colhidos documentos que indicam que os valores recebidos da Consist teriam sido em parte utilizados para efetuar pagamentos em favor da senadora”, disse Moro.
De acordo com os investigadores, “parte expressiva da remuneração da Consist, cerca de 9,6% do faturamento líquido, foi repassada, a Gonçalves, em Curitiba, que, por sua vez, utilizou esses mesmos recursos para pagamentos associados à senadora Gleisi Hoffmann”.
Entre as despesas pagas com esses recursos estariam um débito de 1.344,51 reais, a título de pagamento de multa relacionada ao nome da própria senadora, e débitos relacionados a Zeno Minuzzo e Hernany Bruno Mascarenhas, pessoas ligadas a ela, segundo a autoridade policial.
Em um dos lançamentos de débito junto ao nome de Hernany consta a anotação “salário motorista – cheque 828”, enquanto no outro, “Diversos PT, PB, Gleisi”.
Para a Polícia Federal, Mascarenhas prestaria serviços de motorista à senadora, enquanto Zeno Minuzzo teria sido secretário de finanças do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores.
Para acobertar os repasses, o escritório teria prestado um ou outro serviço à Consist, mas aparentemente incompatíveis com a remuneração de cerca de 7 milhões de reais. (Folhapress)
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