Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de outubro de 2019
Magistrados realizaram na sexta-feira (4) um protesto por segurança em homenagem à juíza que foi atacada com uma faca pelo procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção. O ato em solidariedade à juíza federal Louise Filgueiras, que sofreu um ataque nas dependências do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), reuniu dezenas de magistrados no Fórum Ministro Pedro Lessa, em São Paulo.
O protesto contou com a participação do presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Fernando Mendes, do presidente da Ajufesp (Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul), Otávio Port, do vice-presidente na 3ª Região, Carlos Delgado, e da presidente do TRF3, Therezinha Cazerta.
Na ocasião, o presidente da Ajufe fez um alerta. “O episódio de ontem faz com que essa reflexão seja necessária: a sociedade precisa entender que o discurso de ódio tem que ceder ao discurso da racionalidade. Precisamos preservar as instituições, precisamos, de alguma maneira, encontrar o caminho da racionalidade. Esse ato é um ato de repúdio contra a violência praticada contra a nossa colega, mas também é um ato de repúdio a essa violência simbólica que tem sido praticada contra o Poder Judiciário”, afirmou.
Durante a manifestação também foi lida a nota oficial na qual a Ajufe e a Ajufesp manifestam sua indignação em face do ocorrido e trazem preocupações a respeito da segurança e do discurso de ódio contra o Poder Judiciário atualmente. “A falta de segurança que acomete o ofício dos Magistrados é crônica. Não se justifica, em nenhuma hipótese, colocar vidas em risco por motivo de restrições orçamentárias. A segurança, a ser garantida por profissionais devidamente treinados, é essencial para o exercício do ofício judicante. A Magistratura carece de um mínimo de tranquilidade para trabalhar em paz”, diz trecho da nota que foi lida, no ato, pela juíza federal Marcelle Ragazoni.
“Estamos juntos sofrendo neste momento. É um ataque a todos nós, à magistratura. A segurança dos nossos prédios é uma preocupação constante do Tribunal e das diretorias do Foro. Procuramos obedecer a normas e padrões de segurança. Situações como essa são lamentáveis e, infelizmente, estamos sujeitos. Foi um episódio excepcional em que não houve condições de evitar”, avaliou a presidente do TRF3, Therezinha Cazerta.
O presidente da Ajufesp demonstrou preocupação com a independência da magistratura no cenário atual. “É importante que o Judiciário como guardião múltiplo das leis e da constituição seja respeitado. Esse sentimento que permeia as redes sociais de desrespeito às ordens judiciais pode sim levar à violência, essa violência que a nossa colega sentiu na pele, infelizmente”, frisou Otávio Port.
Ataque
O procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção é suspeito de atacar, com uma faca, a juíza Louise Vilela Leite Filgueiras Borer. Ela teria sofrido ferimentos leves no pescoço, mas, segundo a assessoria do TRF-3, passa bem.
De acordo com os relatos colhidos pela polícia, Assunção entrou na sala do juiz federal de segunda instância Paulo Fontes, que estava de férias e é substituído por Louise Filgueiras. Com uma faca, que teria levado consigo antes de entrar no prédio, atacou a juíza no pescoço. Ela foi atingida superficialmente.
Depois, o procurador ainda tentou, segundo o relato, jogar uma jarra de vidro na magistrada, mas errou. O barulho assustou servidores, que foram à sala e imobilizaram Assunção.
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