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Economia Juros cobrados de famílias e empresas atingem o maior patamar desde 2017

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Um dos efeitos negativos dos juros elevados, porém, é o endividamento das famílias com bancos e instituições financeiras

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Uma das oito modalidades de crédito analisadas barateou. E a boa notícia é que trata-se de uma das mais caras do mercado. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira apontam que a taxa média de juros cobrada por instituições financeiras avançou para 44,23% ao ano, até o mês de fevereiro. É o maior nível desde agosto de 2017, quando este patamar estava em 45,59%. Os dados consideram taxas médias para famílias e empresas negociadas livremente entre bancos e clientes.

Especificamente para as empresas, a taxa média de juros subiu para 24,2% ao ano, alta de 2,7 pontos percentuais em 12 meses. Para famílias, esse nível é mais que o dobro – a taxa média de juros alcançou 58,30% ao ano, elevação de 10,2 pontos percentuais em 12 meses. É o maior patamar para pessoas físicas desde outubro de 2017, quando a taxa estava em 58,85%.

“É resultado do momento econômico que estamos vivendo. Nós temos a Selic [taxa básica de juros] mantida em patamares elevados de 13,75% e o Banco Central sinalizando que vai manter ainda algum tempo essa taxa elevada, mesmo com pressão do governo [para queda nos juros]”, avalia Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Endividamento

O aumento da Selic pelo Banco Central estimula que as taxas cobradas por empréstimos bancários também subam. Em última análise, o objetivo é conter a inflação ao diminuir o volume de empréstimos para pessoas físicas e empresas – desestimulando o consumo e o investimento.

Um dos efeitos negativos dos juros elevados, porém, é o endividamento das famílias com bancos e instituições financeiras. Até janeiro de 2023, o nível de endividados estava em 48,8%, alta de 1 ponto percentual em 12 meses, segundo do dados do BC.

“Vivemos o maior nível de juro desde 2015/2016, quando a Selic atingiu 14,25% ao ano. Existem famílias e empresas que não têm outra opção para sobreviver, elas precisam recorrer aos empréstimos bancários ou tomar crédito no mercado e capitais, no caso das empresas. Neste momento, está saindo bastante caro com o nível em que a Selic está”, pontua Walter Fogolin, economista e Gerente de Produtos da InvestSmart da XP.

Menor volume de crédito

Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira, o volume total de crédito concedido em fevereiro foi de R$ 421,8 bilhões. Houve um aumento de R$ 21,2 bilhões em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados, contudo, já indicam uma desaceleração. O aumento de fevereiro de 2021 comparado com fevereiro de 2022 foi de R$ 87,7 bilhões, por exemplo.

“A partir do segundo semestre tem uma desaceleração do crédito. Isso significa que o crédito continua crescendo, porém em volumes menores. E o segundo semestre do ano passado é um momento da própria desaceleração da atividade econômica como um todo. O ciclo de aperto contribui para a desaceleração do crédito” diz o chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, em coletiva à impresa nesta quarta-feira.

Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), argumenta que os dados divulgados pelo BC atestam “claramente” que o ciclo de “queda na oferta e da demanda de crédito foi acentuado”:

“As razões são muitas. Há a inflação elevada; o efeito do forte aperto monetário; um fim das antecipações de caixa, fundo de garantia, 13º e todos os outros incentivos [ao consumo] do período eleitoral que foram esgotados; um endividamento elevado que limita a capacidade de absorção de crédito, etc.”, cita.

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