Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Porto Alegre Justiça mantém condenação de ex-vereador de Porto Alegre por crime de racismo

Compartilhe esta notícia:

Em 2020, Nagelstein enviou a apoiadores um áudio questionando o preparo de candidatos negros eleitos para a Câmara Municipal. (Foto: Arquivo/CMPA)

A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) manteve sentença de primeira instância que condenou por racismo o ex-vereador porto-alegrense Valter Nagelstein. Ele foi denunciado pelo Ministério Público após gravar e enviar áudio a apoiadores, em 2020, classificando parlamentares municipais recém-eleitos como “jovens negros sem nenhuma experiência, sem nenhum trabalho e com pouquíssima qualificação formal”.

Cabe recurso da decisão, proferida em sessão realizada nesta quarta-feira (26). As desembargadoras Fabianne Breton Baisch e Isabel de Borba Lucas seguiram o voto da colega e relatora Naele Ochoa Piazzeta, que negou provimento à apelação da defesa do político, de 53 anos.

Com isso, manteve-se a sentença proferida em março de 2022 pelo juiz Sidinei José Brzuska, da 3ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, que determinou pena de dois anos de prisão em regime aberto, substituída por prestação de serviços à comunidade (ou entidades públicas) e prestação pecuniária de 20 salários-mínimos, além de multa.

A relatora destacou a intenção do ex-vereador em traçar perfil depreciativo dos então eleitos para a autodenominada “Bancada Negra” da Câmara Municipal. O réu teria vinculado a raça à ausência de qualificação para ocupar a função pública.

“Impõe-se o questionamento sobre a pertinência de, ao listar expressões aviltantes direcionadas aos candidatos eleitos, fazer menção à raça dos vereadores, como se tanto indicasse menor capacidade à ocupação do cargo político ambicionado e ao adequado desempenho das funções parlamentares”, sublinhou Naele.

Ela acrescentou: “Para fins de apreciar o dolo da manifestação protagonizada pelo acusado, mostra-se fundamental atentar às circunstâncias que envolvem a situação sob exame, evitando-se assim o risco de afastamento do teor da reflexão proposta da conjuntura que a envolve”.

“Liberdade de expressão” não se aplica ao caso

A desembargadora destacou, ainda, que “a mera invocação do direito fundamental à liberdade de expressão ou da imunidade parlamentar, prerrogativa que, em concreto, não se aplica ao discurso sob exame, na esteira da fundamentação supra, não se presta a afastar a configuração de delito consistente na prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito de cor”.

“O emprego do termo ‘negros’ no contexto do discurso de desqualificação de adversários políticos supera a perspectiva particular de cada parlamentar e atinge, modo indiscutível, a coletividade de pessoas negras e a ideia de pertencimento étnico”, emendou.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Porto Alegre

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

3 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Vanderlei Ochoa
27 de abril de 2023 11:54

A direita e extrema direita sempre desprezando e desqualificando os pobres. Mas quando precisam do voto…

Jorge Souza
27 de abril de 2023 13:56

PARABÉNS AS DESEMBARGADORAS, ESSE VALTER E MUITOS OUTROS, AACHAM QUE NEGROS SÓ PODEM TRABALHAR EM SERVIÇOS PESADOS, QUE NEGROS NÃO TEM QUALIFICAÇÃO PARA SEREM ELEITOS, PRA ELE INTERESSA SÓ O VOTO

Paulo Ricardo Mezzari Chavarria
27 de abril de 2023 18:04

Este é o mesmo vereador que durante a pandemia editou e publicou nas redes sociais, um filme com a participação de seus familiares em que se fingia de morto pela covid, com o objetivo de debochar da população amedrontada e também para puxar o saco do inominável que ocupava a presidência do país. O pior de tudo, é que este “filminho” de extremo mau gosto, foi publicado quando o Brasil atingiu cerca de 4.000 mortos diariamente.

Com quatro brasileiros no top-10, entidade divulga ranking dos jogadores mais promissores do mundo
Sem pai nem mãe
Pode te interessar
3
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x