Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2023
A Justiça Militar negou recentemente o pedido do Exército para prender preventivamente seis militares investigados por suspeita de furtarem 21 metralhadoras do Arsenal de Guerra, em Barueri, Grande São Paulo. O crime ocorreu em meados de setembro. Desde então, 19 armas já foram recuperadas. Outras duas ainda são procuradas.
A expectativa dos investigadores é a de que o inquérito militar que investiga o caso deverá ser concluído até dezembro com o indiciamento dos suspeitos por furto, peculato, receptação e extravio.
Depois disso será feito um novo pedido de prisão com mais “provas” da participação deles no maior desvio de armas da história do Exército brasileiro. Para isso, pretendem usar dados das quebras dos sigilos bancários, telefônicos e das redes sociais dos investigados para tentar comprovar seus envolvimentos nos crimes.
O Ministério Público Militar (MPM) também foi contrário à decretação das prisões por entender que os “indícios” contra os militares eram insuficientes para que fossem presos. Além disso, todos os suspeitos têm residência fixa, trabalham e não possuem antecedentes criminais.
A Procuradoria investiga também se houve irregularidades durante o “aquartelamento” da tropa após a descoberta do desvio das armas, em 10 de outubro. Militares foram impedidos de sair do quartel até 24 de outubro. A medida é prevista pelo Exército em casos excepcionais, mas a Procuradoria apura se ele foi aplicada de forma legal no caso do furto das armas.
Militares chegaram a ter os celulares confiscados e foram ouvidos no inquérito para passar informações que poderiam levar aos culpados pelo desaparecimento das metralhadoras.
Um cabo, que é um dos seis suspeitos de participar diretamente do furto, denuncia que todos eles foram agredidos durante o “aquartelamento” no Arsenal de Guerra, segundo sua defesa relatou ao portal de notícias G1.
A advogada do cabo, Patrícia Carvalho, contou que a queixa foi formalizada no quartel e que haverá uma apuração interna disso.
Segundo ela, o cabo relatou que as agressões ocorreram em meio à investigação do Exército para tentar descobrir quem cometeu o crime e localizar as armas que foram parar com facções criminosas. Os militares suspeitos têm patentes de soldado, cabo, sargento e tenente.
“A defesa recebeu as informações sobre as agressões do próprio cabo, e que outros também teriam sido agredidos pelo mesmo Capitão, segundo o cabo”, informa trecho do comunicado enviado pela advogada.
Ela, no entanto, não apresentou provas nem testemunhas das acusações. E não informou qual é a defesa do cabo para as acusações de furto. O nome de seu cliente não será divulgado pelo fato de ele ainda não ter sido indiciado por nenhum crime.
“Sobre o inquérito militar em andamento, a defesa ainda não conseguiu acesso e não pode comentar o caso”, diz a nota.
A defesa do cabo também não detalhou quais teriam sido as agressões sofridas. A reportagem apurou que ao menos um dos militares suspeitos pelo furto das armas alegou ter sido chutado, ter visto um colega levar socos nas costelas e testemunhado um outro ser arrastado pela gola da farda.
Também há relatos de que os seis suspeitos tiveram os celulares confiscados pela investigação e foram obrigados a fornecer suas senhas pessoais.
Do grupo de seis militares suspeitos de participarem do furto, somente o cabo não está trabalhando atualmente no Arsenal de Guerra em Barueri. Após faltar dois dias no trabalho, ele apresentou um atestado psiquiátrico particular em 27 de outubro, quando foi ao quartel com sua advogada. Atualmente está de licença médica de sete dias. As informações são do portal de notícias G1.
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