Domingo, 05 de abril de 2026
Por Tito Guarniere | 7 de fevereiro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Tudo parecia caminhar para uma disputa final entre o bolsonarismo e o lulopetismo em 2026. Mas veio do PSD de Gilberto Kassab a novidade que promete alterar esse quadro, quem sabe trazendo para a eleição um fato novo, capaz de viabilizar uma terceira via.
Não são poucos os eleitores que se declaram predispostos a votar em um terceiro nome, fora de Lula e de Flávio Bolsonaro, o candidato consagrado pelo pai e ex-presidente Jair como seu substituto no pleito presidencial deste ano. Há um contingente significativo do eleitorado que está cansado do conflito bipolar, entre duas forças que se digladiam em cada palavra, em cada gesto, sem que nenhum deles recua um passo que seja, na polarização que nos aprisiona e apequena.
Como observa o jornalista Diogo Schelp, em seu livro “Nem comunista, nem fascista: guia de resistência para moderados”, as pesquisas mostram que cerca de 60% da população não se identifica com a extrema direita nem com a extrema-esquerda, e quase metade dos brasileiros não se considera nem petista nem antipetista.
Pois este é o campo de ação de Gilberto Kassab, onde navega à vontade. Se fosse para classificá-lo nas categorias tradicionais, o mais que se poderá dizer é que ele é do extremo centro. Kassab não se constrange em se aliar com Lula, Bolsonaro ou mais quem seja.
É um analista arguto do quadro e da conjuntura política, e um articulador excepcional. Sem mandato, de São Paulo, não de Brasília, comanda com habilidade uma sigla importante, o PSD, que parece imune às crises internas, como é comum nos demais partidos.
Não lhe peçam para formular teorias políticas, ou que ele apresente com mais nitidez o programa partidário: ele as esconde e dissimula com maestria. De tal sorte que no PSD cabe tudo e cabe todos sem remorso e sem medo de ser feliz. É um prestidigitador, um feiticeiro que sabe preparar as poções para agregar e fortalecer a sigla partidária, um operador de mão cheia na política.
Kassab anteviu o espaço e entrou de cabeça: passou a ser peça estratégica, pois apresentou três candidatos a presidente da República, três governadores de estados importantes, Ronaldo Caiado, recém-filiado, de Goiás, Ratinho Jr., do Paraná e Eduardo Leite do Rio Grande do Sul. Na combinação entre eles, quem estiver em melhor posição na hora apropriada será o candidato, com o apoio dos outros dois.
Não está escrito que vai dar certo. Mas que se introduziu uma nova equação nas projeções do jogo sucessório não há dúvida. A começar pelo fato de que o bloco da direita e do bolsonarismo agora exibe uma rachadura, já não é uma construção monolítica e indestrutível.
A articulação competente de Kassab, o fato novo por ele produzido, abre uma esperança no cenário eleitoral. É tempo de ter uma alternativa para a dicotomia destrutiva do bolsonarismo e do lulopetismo. O Brasil é muito mais complexo do que aquelas projeções rijas, raivosas, um tanto primárias, que dominam a cena política do país, e que não nos permitem sair do atoleiro, da pasmaceira que vem de longe.
Mesmo que não chegue ao segundo turno, que não vença a eleição, talvez ao menos a sociedade brasileira comece a entender que não estamos condenados ao enredo político tóxico, asfixiante a que estamos submetidos.
(titoguarniere@terra.com.br)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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