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Brasil Latam Brasil não está a venda, diz o presidente da empresa

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Segundo Jerome Cadier, a opção nunca foi alvo de conversas "nem por um minuto". (Foto: Divulgação)

O presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirma que nunca existiu e não há nenhum interesse por parte da empresa de separar sua operação brasileira do restante do grupo ou de vender a subsidiária à Azul. Ele nega que tenha havido ou haja conversas nesse sentido.

A Azul, no entanto, não desistiu do negócio, segundo o presidente da empresa, John Rodgerson. A companhia vai tentar convencer credores da Latam no âmbito de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos a pressionarem o grupo chileno a vender a subsidiária brasileira.

Os detentores de créditos precisam aprovar o plano de recuperação que a Latam deve apresentar em julho e poderiam, em tese, condicionar essa aprovação à venda de ativos. O aval dos credores é legalmente necessário para que o grupo continue seu processo de reestruturação.

Presidente da empresa, John Rodgerson não confirma a estratégia da companhia de buscar credores, mas afirma que a Azul não desistiu de fazer negócio.

“Estamos em uma posição privilegiada porque não temos sobreposições relevantes de rotas e voos (com a Latam), e estamos olhando as oportunidades. O mercado está em um momento em que uma fusão ou compra seria saudável, ajudaria muitos credores e a retomada da aviação”, diz ele.

A declaração de Cadier negando a possibilidade de negócio ocorre um dia após Azul e Latam terem anunciado o fim do acordo de codeshare (compartilhamento de voos) que tinha desde meados do ano passado.

A decisão de encerrar o acordo partiu da Latam Brasil, e foi respondida pela Azul com um comunicado ao mercado. “A companhia acredita que um movimento de consolidação é uma tendência do setor no pós-pandemia e a Azul está em uma posição forte para liderar um processo nesse sentido”, diz o documento.

No texto, o presidente da Azul, John Rodgerson, afirma que a empresa contratou consultores financeiros em março e que estuda ativamente oportunidades de fusão e aquisição. “Acreditamos que o encerramento do codeshare pela Latam seja uma reação a esse processo”, disse o executivo.

Segundo Cadier, a opção nunca foi alvo de conversas “nem por um minuto”.

“Quero deixar super claro. Não existe nenhuma conversa e nenhuma intenção de separar a Latam Brasil do resto do grupo ou de vender a operação. A Latam Brasil nunca esteve à venda”, afirmou.

O executivo diz ainda que os rumores de maior integração não procedem e que um negócio nesse sentido não é interessante para a Latam.

“Não faz sentido para a Latam quebrar a lógica de construção do grupo, que é a de integrar diversos mercados domésticos, internacional e carga, tirar um pedaço disso. A Latam Brasil é a maior operação (do grupo chileno Latam), o que ficaria? O tamanho da operação de carga, o tamanho da internacional. Não faz sentido tirar a operação doméstica e isso é claro para a gente”, diz ele.

Fontes próximas à Azul afirmam que há um desalinhamento de interesses. Enquanto a Azul busca um negócio em que a empresa mantenha o controle da operação, a Latam só se interessaria em fazer uma joint-venture (um passo além do codeshare, que não envolve compra de ativos).

A Azul não tem hoje capital necessário para fazer a aquisição da Latam Brasil, mas a alta cúpula da empresa avalia que o negócio seria visto pelo mercado como benéfico para o setor em crise e para a Azul, que assumiria a liderança de mercado. Por isso, consideram que o acesso a financiamentos seria facilitado.

Do ponto de vista regulatório, a Azul também considera que a fusão seria aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sob o argumento de que o mercado aéreo brasileiro é aberto a novos entrantes e que a consolidação é saudável para o setor, castigado pela pandemia.

Para Cadier, o assunto está encerrado.

“O codeshare gerou uma série de rumores, todo o mundo achando que era uma coisa maior, mas no fundo para a gente era uma maneira de enfrentar a crise, de melhorar as vendas, e surtiu efeito no ano passado. Mas neste ano, não. Como a Azul está construindo o caminho de reestruturação dela é um problema dela, o nosso está super claro”, diz.

A Latam está vendendo hoje pelo codeshare cerca de 20% do patamar registrado em dezembro, segundo o executivo, o que o fez perder relevância e sentido. O acordo vai funcionar até 22 de agosto.

A empresa, cuja controladora está em reestruturação nos Estados Unidos em processo similar ao da recuperação judicial brasileira, projeta operar com 90% de sua malha aérea no Brasil até o fim de 2021.

tags: em foco

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