Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Bruno Laux | 7 de abril de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O governador Eduardo Leite rejeitou o convite para prestar depoimento na CPI dos Pedágios nessa segunda-feira (6), alegando compromissos institucionais previamente agendados. A justificativa foi enviada via ofício pela chefia de gabinete, contrastando com declarações anteriores do próprio governador de que compareceria “espontaneamente” ao colegiado. A ausência gerou fortes críticas de parlamentares da oposição, reforçando nos bastidores a percepção de uma estratégia governista para evitar o desgaste político sobre o modelo de concessões. Presidente da comissão, o deputado Paparico Bacchi (PL), anunciou que enviará um novo convite ao chefe do Executivo gaúcho, solicitando explicações sobre o projeto de concessão dos Blocos II e III de estradas.
Trabalhos continuados
Mesmo sem a presença de Leite, a CPI dos Pedágios avançou nos trabalhos e aprovou nessa segunda-feira o pedido de afastamento do conselheiro-presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs), Marcelo Spilki. O colegiado também deliberou pela convocação do secretário estadual da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, que deverá prestar novos esclarecimentos na próxima quarta-feira (8). A estratégia do grupo agora foca na prorrogação dos trabalhos da comissão, tema que deve integrar as discussões na sessão plenária da Assembleia Legislativa nesta terça. Relator do colegiado, o deputado Miguel Rossetto (PT) sinalizou que a bancada do PT se mobilizará para estender as discussões do grupo, diante da relevância do tema para regiões diretamente impactadas pela “gravidade, a fragilidade e o fracasso” dos modelos de concessão propostos pelo Executivo.
Defesa da unidade
Em publicação nas redes sociais, Juliana Brizola (PDT) divulgou no início da noite dessa segunda-feira o manifesto “Pela unidade do campo democrático, pela vitória do Brasil e do Rio Grande”, distribuído em cinco páginas em que propõe um palanque único para Lula no Estado. O texto defende que a fragmentação das esquerdas deve ser superada ainda no primeiro turno para garantir a competitividade necessária contra o projeto governista atual. No documento, Juliana destaca o desembarque do PDT do governo de Eduardo Leite, classificando o gesto como um passo indispensável para a construção de uma alternativa de oposição coerente. A pedetista destaca seus índices “consistentes” em pesquisas eleitorais, sustentando que reúne as melhores condições para liderar o campo progressista, especialmente em um cenário de segundo turno. O manifesto encerra com o mote “Lula lá, Brizola aqui”, reforçando o alinhamento estratégico com a mobilização nacional liderada pelo Palácio do Planalto.
Posição reiterada
Do outro lado da esquerda gaúcha, o PT e siglas aliadas realizaram nessa segunda-feira (6) uma plenária em Porto Alegre para reiterar a pré-candidatura de Edegar Pretto ao Palácio Piratini. Em paralelo ao ato, foi publicado um manifesto assinado por PT, PSOL, PSB, PV e Rede que rejeita qualquer “imposição a portas fechadas” e classifica como incompreensível a substituição de um projeto consolidado por uma aliança com o PDT. O documento questiona a identidade de Juliana Brizola com o governo Lula, citando o histórico de apoio pedetista a agendas neoliberais e privatizações no Rio Grande do Sul. A frente também minimiza o peso das pesquisas atuais ao recordar a reviravolta de 2022, defendendo que a mobilização da base — que inclui Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila ao Senado — é o ativo mais potente para a vitória. A demonstração de força ocorre às vésperas de reuniões decisivas da executiva nacional petista, em Brasília, que devem selar o futuro da coligação gaúcha.
Superfaturamento na pandemia
O Ministério Público do Rio Grande do Sul ajuizou na última semana uma ação de improbidade administrativa contra cinco pessoas e uma empresa por irregularidades na Secretaria de Saúde de Osório durante a pandemia. A investigação aponta superfaturamento na compra de testes rápidos de Covid-19 em 2020, com sobrepreço estimado em 35,72% em relação aos valores de mercado da época. Além dos preços inflados, o promotor Luis Cesar Gonçalves Balaguez identificou orçamentos simulados, falta de transparência em dispensas de licitação e indícios de direcionamento para um fornecedor local. Diante das evidências de conduta dolosa, o MPRS solicitou a indisponibilidade de bens dos envolvidos para garantir o ressarcimento de, no mínimo, R$ 50,5 mil aos cofres públicos. (Por Bruno Laux)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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