A inflação de 5,2 por cento nos 10 primeiros dias de novembro de 1985 levou o presidente José Sarney a convocar a equipe da área econômica para reunião em Brasília no dia 11 de novembro.
A primeira decisão foi usar a Lei Delegada número 4, que previa a intervenção em empresas produtoras e supermercados, para assegurar a distribuição de alimentos sem que os preços disparassem. Ampliou ainda as atuações dos Conselhos de Administração Financeira e Interministerial de Preços.
O ministro da Fazenda, Dilson Funaro, destacou a importância de atuação dos Conselhos, que tinham poder de Polícia para evitar a formação de cartéis e a prática de políticas predatórias de preços.
O presidente José Sarney pediu também a participação de todos na vigilância de órgãos públicos que optassem por desperdícios. Citou como exemplo governadores estaduais que fizeram nomeações e pagaram o 13º salário aos servidores com empréstimos externos, quando havia necessidade de austeridade administrativa.
Os esforços do governo não foram suficientes para impedir que a inflação de 1985 chegasse a 242 por cento.
Em fevereiro de 1986, o governo lançou o Plano Cruzado, que conteve os preços de forma artificial e por poucos meses. Sucederam-se ainda outras fórmulas sem sucesso.
Só no final de fevereiro de 1994, com o lançamento das primeiras medidas do Plano Real, no governo Itamar Franco, começou a fase de estabilização e derrubada da inflação.
Por 20 anos, a população se beneficiou com a manutenção de preços, mas vê agora o risco de retorno a um período amargo. Preservar a estabilidade é tarefa que precisa ser a de número 1 na agenda do governo e da população. Não há outra saída.
