Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de janeiro de 2026
"Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar", reagiu Nikolas.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos DeputadosO parlamentar Lindbergh Farias (RJ), líder do PT na Câmara dos Deputados, afirmou que irá protocolar uma representação à Polícia Federal (PF) contra o colega Nikolas Ferreira (PL-MG), que “tem que ser preso por traição e atentado contra a soberania nacional”. Após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ser capturado pelos Estados Unidos, Nikolas compartilhou uma montagem na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece sendo detido por agentes americanos, o que alegou se tratar apenas de um “meme”.
Mesmo assim, Lindbergh defende que ele — assim como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, por outras declarações — responda criminalmente por “normalizar intervenção militar estrangeira no Brasil”.
“Esse Nikolas Ferreira tem que ser preso, está cometendo crime atrás de crime. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro a mesma coisa”, afirmou Lindbergh, em vídeo publicado nas redes sociais.
“Eles abertamente estimulam uma intervenção armada e estrangeira dos Estados Unidos contra o Brasil”, continuou.
Ao se referir a Nikolas, Lindbergh afirmou que ele está “cometendo o mesmo crime de atentar contra o Estado Democrático de Direito” que o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe. O petista também o atacou como “fedelho”, que “deveria ter respeito” e “lavar a boca”.
“Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar”, reagiu Nikolas, nessa terça-feira (6), também por meio das redes sociais.
Após cumprir uma agenda na Santa Casa de Belo Horizonte, Nikolas foi questionado pela imprensa sobre as declarações em relação à Venezuela. Ele ressaltou que a postagem sobre Lula foi apenas uma brincadeira, mas admitiu que aceitaria uma “intervenção externa” no Brasil para que “criminosos paguem pelos seus crimes”.
Na mesma ocasião, ele discordou que a ação dos EUA pode ser feita em outros países. Nikolas lembrou das declarações em que Maduro “desafiou” presidente Donald Trump e “abriu um precedente” ao pedir para capturá-lo, e mencionou as críticas feitas pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que também se tornou alvo do líder americano.
“O Lula poderia pedir também, né? ‘Vem cá me pegar, seu covarde’. Vai que”, ironizou o deputado.
Lindbergh também lembrou, no mesmo vídeo, das articulações de Eduardo para a imposição de sanções contra o país. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de coação no curso do processo pois, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), sua permanência nos EUA buscou pressionar e intimidar a Corte às vésperas do julgamento que condenou Bolsonaro.
Em relação a Flávio, pré-candidato à Presidência, Lindbergh afirmou que a representação tem como base declarações feitas pelo senador em outubro. Após os EUA anunciarem um ataque a um barco que supostamente transportava drogas no Oceano Pacífico, ele sugeriu que os americanos atacassem “organizações terroristas” na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. (Com informações do jornal O Globo)