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Política Líderes bolsonaristas, Rogério Marinho e Tereza Cristina articulam frente para Alcolumbre não continuar na presidência do Senado

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O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enfrenta obstáculos para conseguir o apoio de senadores. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enfrenta obstáculos para conseguir o apoio de senadores eleitos da oposição para conseguir voltar à chefia do Legislativo em fevereiro do próximo ano. O líder da oposição na Casa, senador Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), articulam uma candidatura única da oposição e analisam quem seria o senador mais competitivo para entrar na disputa.

Mesmo após a federação União Progressista ter anunciado apoio à recondução de Alcolumbre ao cargo, os votos dos parlamentares desse grupo são incertos. Na quarta-feira (28), Tereza sinalizou que ainda não está fora do páreo ao dizer, em nota, que os eleitos para compor a bancada do partido no Senado – que toma posse em fevereiro do próximo ano – têm direito de tomarem a decisão de quem vão apoiar para a chefia da Casa por conta própria.

Um dos eleitos pela sigla, o senador Guilherme Derrite (PP-SP), publicou um vídeo afirmando que não endossa a posição da federação e que não apoiará Alcolumbre por ele não avançar com processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma linha, Marinho disse acreditar que a bancada da federação pode, em parte, não seguir a orientação de seus dirigentes.

Tereza articula com o líder da oposição uma candidatura única contra o atual ocupante do posto. Segundo pessoas a par das negociações, os dois fazem as contas para entender qual deles é o mais competitivo para a eleição interna. Marinho deve ter a preferência na disputa da Presidência, de acordo com fontes no PL, mas, se ele não tiver os votos necessários para derrotar Alcolumbre, a competitividade de Tereza deve ser analisada.

Se Marinho ganhar contra o atual presidente, a líder do PP poderia ocupar algum outro cargo de destaque, como a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado que analisa propostas de emenda à Constituição (PECS).

Na quarta-feira (28), o cacique do PL informou a jornalistas que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião na próxima quarta-feira (4) para discutir e, eventualmente, sacramentar a candidatura dele à Presidência do Senado. “A candidatura precisará ainda passar pelo crivo do partido em uma reunião na quarta-feira. Mas a nossa candidatura, sendo efetivada, sendo homologada pelo partido, será uma candidatura que leve em consideração a necessidade de cumprir, sobretudo, a Constituição brasileira”, declarou Marinho.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), teria chamado a líder do partido no Senado na terça-feira (27) para falar sobre o a divulgação do apoio ao atual chefe do Congresso. Teria pesado nessa decisão o fato de Alcolumbre ser um dos caciques do União e, consequentemente, o Progressistas teria sido puxado “a reboque”, de acordo com pessoas a par das negociações. Ciro, embora seja da oposição, também é amigo muito próximo do amapaense – outro fator que teria influenciado no endosso.

Interlocutores do presidente do Senado relataram que, embora ele já estivesse pedindo votos a parlamentares, o objetivo dele era obter, primeiro, o apoio de seus correligionários. Ele também teria pedido para que outras siglas não anunciassem esse endosso antes de isso ser feito pela própria legenda dele.

Aliados de Alcolumbre avaliam que ele já tem os votos para se reeleger ao posto, contando com o apoio silencioso de integrantes do PL. Mesmo assim, o presidente recebeu, na quarta, a bancada de senadores eleitos pelo PL, incluindo políticos que já declararam que não irão votar nele.

Como forma de reagir a essa articulação de Marinho e Tereza, o presidente do Senado tem dito aos parlamentares eleitos que defende a concessão de algum tipo de indulto ou anistia a Jair Bolsonaro, ex-presidente que está preso por tentativa de golpe de Estado. O discurso do chefe do Legislativo, segundo relatos desses políticos, é de que é necessária uma “pacificação” do país e uma virada de página, algo que, na visão dele, não teria acontecido após o pleito deste ano.

Aliados de Alcolumbre destacam que ele faz a defesa desse discurso de pacificação desde quando buscou a construção de uma diminuição das penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro. Mesmo assim, aliados reconhecem que esse tema deve, sim, ser utilizado por ele para se aproximar dos nomes da oposição.

Para colocar de pé essa iniciativa de fazer frente a Alcolumbre, o PL ainda precisa enfrentar divisões internar. Os parlamentares da legenda se dividem sobre o lançamento de uma candidatura própria, uma vez que, caso lancem um nome para concorrer contra Alcolumbre e não tenham sucesso nessa empreitada, eles podem acabar ficando sem cargos na Mesa Diretora e no comando das comissões temáticas na Casa.

Foi isso que aconteceu em 2023, quando Marinho concorreu à Presidência contra o então senador Rodrigo Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Após a derrota do senador do PL, a legenda acabou sem direito à divisão de cargos no Senado.

Os que defendem uma candidatura única da oposição, por sua vez, ponderam que Marinho não deve lançar uma “candidatura kamikaze”, fadada a perder. Nesse caso, ele negociaria o apoio do partido a Alcolumbre, na visão desses parlamentares. As informações são do jornal Valor Econômico.

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