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Mundo Líderes europeus trocam acusações e dizem que o coronavírus pode acabar com a União Europeia

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Integração europeia, que já vem abalada, agora enfrenta desafio da pandemia, que tem fortalecido políticas nacionalistas e muitas vezes autoritárias

Foto: Reprodução
No fim de junho, a União Europeia havia autorizado a entrada de viajantes de 15 países. (Foto: Reprodução de internet)

A pandemia agravou os problemas da UE (União Europeia) e alguns líderes já temem que o coronavírus possa acabar com o bloco. A coesão da UE já havia sido abalada pela crise financeira de 2008, pelo fluxo migratório descontrolado, que se arrasta desde 2015, e pelo Brexit. Agora, a integração bate de frente com o vírus, que criou atritos entre países e fortaleceu autocracias, como na Hungria.

Se os líderes não conseguirem traçar um caminho em comum, o projeto europeu pode estar em risco, como descreveu um de seus arquitetos nesta semana. Nos primeiros dias da pandemia, a resposta de alguns países mostrou que os interesses nacionais ainda superam os ideais europeus.

Primeiro, o fechamento de fronteiras foi realizado de maneira descoordenada. Depois, Alemanha e França proibiram a exportação de equipamentos médicos, como máscaras e respiradores, mesmo quando a Itália mais precisava de ajuda. No vácuo, surgiram Rússia e China para capitalizar a situação. Moscou e Pequim rapidamente ofereceram assistência médica, construindo uma narrativa heroica e dando argumentos aos eurocéticos.

Em meio à crise, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, usou poderes emergenciais para praticamente suspender a democracia, criticando os princípios básicos de um estado de direito. Juntas, todas essas tensões começaram a sobrecarregar a UE.

“Isso pode ser a gota d’água”, disse Nathalie Tocci, diretora do Instituto de Assuntos Internacionais da Itália. “A crise do coronavírus é um desafio importante, não porque trouxe as coisas do nada. Ela toca em todas as esferas e acentua dinâmicas que já estão lá.”

Norbert Rottgen, político alemão e candidato a substituir a chanceler Angela Merkel, comparou as lutas internas do bloco a “uma guerra de trincheira exaustiva”, juntando-se ao coro das vozes que alertam que a UE corre grave perigo.

O ponto mais alto da divergência aconteceu durante uma videoconferência em que nove países, incluindo Itália e Espanha, pediram apoio financeiro. O ministro holandês das Finanças, Wopke Hoekstra, respondeu com um pedido para Bruxelas investigar porque alguns governos não dispunham de recursos financeiros para combater sozinhos a pandemia.

O comentário desencadeou uma tempestade, uma vez que, para os críticos, soou como se os holandeses estivessem transformando uma crise de saúde, cujas origens não têm relação com ações de nenhum governo, em uma lição de moral fiscal. “O comentário foi repugnante”, afirmou o primeiro-ministro português, António Costa. “Ou a UE faz o que precisa ser feito ou será o seu fim.”

O debate reabriu as feridas que mal haviam se curado após a crise financeira de 2008, quando a Alemanha levou os europeus a impor dolorosas medidas de austeridade à Grécia e à Itália em troca de socorro financeiro.

Agora, com as necessidades ainda maiores, muitos questionam o sentido do bloco, se os membros mais ricos não estão dispostos a apoiar os vizinhos em dificuldade. “Daqui a 10 ou 20 anos, todos nos lembraremos do que aconteceu neste momento, como todos os alemães lembram onde estávamos quando caiu o Muro de Berlim”, disse Holger Schmieding, economista do Berenberg Bank. “A impressão política que criamos agora será decisiva.”

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