Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de maio de 2026
Expoente da direita no empresariado brasileiro, Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, encampou uma campanha pela aprovação da escala 4×3 na quarta-feira (27). A provocação, em tom de deboche, é uma resposta à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) defendida pelo governo Lula que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 horas para 40 horas.
A Câmara dos Deputados aprovou o texto, que agora será apreciado pelo Senado. Crítico ferrenho do projeto, Hang disse ao jornal Folha de S.Paulo que preferiria a aprovação da escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, porque “se for para quebrar o Brasil, que seja rápido”.
“O Congresso deveria aprovar a 4×3 e implantá-la já em junho para que a gente visse quanto tempo o Brasil iria aguentar. Coisa ruim tem que ser o mais rápido possível, não adianta você ficar sofrendo por muito tempo”, afirma. “Acho que para acertar este país é só com uma desgraça. Então, que a desgraça seja instalada o mais rápido possível.”
Com sede administrativa em Brusque (SC), a Havan se tornou uma das maiores redes de departamentos no Brasil, ganhando os holofotes a partir do apoio de Hang a Jair Bolsonaro antes das eleições presidenciais de 2018.
Hoje, são 191 lojas e mais de 25 mil funcionários —neste sábado (30), será inaugurada a 192ª unidade, em Taquara (RS). Em 2025, a empresa registrou R$ 13,7 bilhões em receita líquida, com lucro líquido de R$ 3,5 bilhões.
Hang afirma que a mudança no regime pautada no Congresso irá aumentar os custos da empresa entre 15% e 20% e projeta uma “quebradeira” de pequenas e médias varejistas pelo país. Para o empresário, a medida vai se refletir em mais inflação para o consumidor final.
“Do couro sai a correia. Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços”, afirma. “Essa diferença de 15% a 20% vai para os preços. E a inflação vai comer o salário do cara, que vai ter que arranjar um segundo emprego para sobreviver.”
Na esteira da aprovação da nova PEC, o empresário diz que as leis no Brasil “são feitas por pessoas que não gostam de trabalhar”. Ele reclama, por exemplo, do artigo 386 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que prevê que mulheres tenham direito a ao menos uma folga em um domingo a cada 15 dias. A medida visa garantir o descanso às mulheres, visto que muitas assumem uma jornada dupla por atividades da casa e apoio à educação dos filhos.
Esse direito estava previsto na CLT desde 1943, mas precisou ser ratificado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2023 após descumprimento da regra, especialmente com a implementação da reforma trabalhista de 2017.
“A Havan tem três turnos (de trabalho). Há um tempo, inventaram que mulheres não podem trabalhar dois domingos em seguida. O que tu consegues com isso? Tu vais ter que contratar mais homens. (…) Cada lei que não tem lógica, quem sofre é a própria pessoa para que foi feita a lei”, afirma. “Eu nunca vi, nesse país, tanto idiota para fazer leis burras.”
Hang não está sozinho nessa crítica, mas o tema não é consenso no setor. A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) vai na direção contrária. A entidade afirmou nesta semana que a dificuldade não envolve uma questão de gênero, mas sim da complexidade de acondicionar as escalas, já que há várias vigentes em negociações coletivas, como 1×1, 2×1 e 2×2, referentes aos domingos de folga.
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que tem cerca de 600 mil representados, diz que é impossível não contratar mulheres hoje para vagas no comércio, mesmo com o fim da escala 6×1.
“Tem certas funções que, por mais que possam ser executadas por homens, ficaram basicamente com a mulher, como caixa de supermercados, atendente e vendedora de loja de roupas femininas. Há consumidoras que não vão querer comprar com homens. São argumentos pequenos”, diz, sobre as declarações. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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