Domingo, 16 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2026
A campanha presidencial de 2026 começou oficialmente nesse domingo (16), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) levaram às ruas e às redes sociais apostas distintas para dar o tom da disputa. Até a estreia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, Lula apostará no legado de seu governo e na defesa dos interesses nacionais, em contraposição ao bolsonarismo. Flávio, por sua vez, buscará retratar o petista como um projeto esgotado, explorar suspeitas de corrupção que atingem o entorno do Planalto e ampliar sua candidatura para além da base bolsonarista, sem radicalizar o discurso.
A largada também será o primeiro teste, em uma eleição presidencial, das regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de inteligência artificial, em meio a dúvidas sobre até onde as campanhas poderão recorrer à tecnologia e sobre a capacidade da Justiça Eleitoral de fazer cumprir as normas. O tema abre uma frente adicional de tensão: a equipe de Lula acompanha com apreensão a condução recente do TSE, enquanto a de Flávio teme que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) produzam efeitos sobre a disputa.
Desde esse domingo, a legislação permite a propaganda eleitoral propriamente dita, com pedidos explícitos de voto nas redes e nos atos de campanha. Também estarão liberados comícios, caminhadas, carreatas, distribuição de material e propaganda paga impulsionada na internet. A etapa seguinte começa em 28 de agosto, com a estreia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
Integrantes da campanha de Lula afirmam que, nesta primeira etapa, o presidente concentrará sua comunicação nos resultados do governo e fará da comparação entre sua gestão e a de Jair Bolsonaro um dos principais eixos do embate. A propaganda deverá contrapor o País herdado do governo Bolsonaro ao cenário que Lula pretende entregar ao fim do mandato, com o objetivo de valorizar as realizações da gestão e enquadrar a eleição como uma escolha entre a continuidade do atual projeto e o retorno do bolsonarismo. A soberania nacional completará essa narrativa, com Lula apresentado como defensor dos interesses do País diante de pressões externas.
A comparação, contudo, não ficará restrita aos governos. A campanha pretende explorar vulnerabilidades de Flávio, como o caso das rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), arquivado em 2022 após decisões que invalidaram provas centrais, sem análise do mérito; a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília; as nomeações, para seu gabinete, de familiares de um ex-PM apontado como miliciano; e as mensagens do caso Master nas quais o senador cobrou de Daniel Vorcaro recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Nessas primeiras peças, a campanha de Lula deverá recorrer pouco à inteligência artificial. Segundo integrantes da equipe, o próprio presidente demonstra resistência ao uso de conteúdos sintéticos, e a orientação inicial é privilegiar imagens reais.
Do lado de Flávio, a campanha buscará apresentar Lula como representante de um projeto político esgotado. Coordenador da pré-campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN) afirma que um dos eixos será argumentar que a tentativa de Lula de conquistar um quarto mandato, mais de duas décadas depois de sua primeira eleição, não oferece novidades ao eleitor. “Já venceu o prazo de validade da gestão petista”, avalia.
Embora defendam peças contundentes contra Lula, aliados avaliam que a campanha não pode confundir confronto com radicalização. O diagnóstico é que uma comunicação dirigida apenas à base bolsonarista limita o crescimento de Flávio e afasta eleitores independentes e indecisos, considerados decisivos na disputa. A orientação é combinar os ataques ao adversário com a construção de uma imagem mais moderada do senador. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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