Terça-feira, 06 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2025
O presidente Lula (PT) prepara uma videoconferência com líderes do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e de países europeus para discutir o impacto das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal O Globo.
O movimento do presidente Lula tem como pano de fundo a defesa do multilateralismo e a tentativa de articular uma reação coordenada à ofensiva comercial liderada pelo presidente Donald Trump.
Lula já entrou em contato com os presidentes da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; e com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. A próxima etapa inclui ligações para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. França e Alemanha também devem participar, representadas por Emmanuel Macron e Friedrich Merz, respectivamente.
Lula quer tratar da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros
Desde 9 de julho, quando Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre parte das exportações brasileiras, as relações entre Brasil e EUA se deterioraram. O governo Lula recorreu à OMC (Organização Mundial do Comércio) e tenta negociar diretamente com Washington, mas o diálogo tem sido travado.
Trump condicionou publicamente a revisão da tarifa à suspensão de investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) — o que foi rechaçado pelo governo brasileiro, que busca manter as tratativas no campo estritamente comercial.
Em paralelo, o Brasil prepara um relatório técnico para os EUA com informações sobre práticas nas áreas de meio ambiente, propriedade intelectual, combate à corrupção e regulação financeira. A medida busca responder à investigação aberta pelos americanos com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que pode resultar em novas sanções.
Pix, patentes e desmatamento
Entre os pontos sensíveis do relatório, está o sistema de pagamentos Pix, que entrou no radar das autoridades comerciais dos EUA. A resposta brasileira argumentará que o Pix ampliou o acesso bancário e favoreceu os negócios, sem prejudicar empresas americanas.
Também serão destacadas ações contra o desmatamento e a promessa de acelerar o registro de patentes de medicamentos, hoje criticado pelos EUA por sua morosidade. A meta é reduzir o prazo atual de até sete anos para dois anos até 2026.
Escalada diplomática e riscos de ruptura
A crise diplomática ganhou novos contornos com a revogação de vistos de dois brasileiros que participaram do programa Mais Médicos: Mozart Sales, assessor do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, coordenador da COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). A justificativa americana foi o combate ao “trabalho forçado do regime cubano”.
A medida é vista no Planalto como provocativa. Segundo Celso Amorim, principal conselheiro internacional de Lula, trata-se de uma “tentativa de induzir o Brasil a uma reação desproporcional” que justificaria sanções mais duras por parte dos EUA.
Apesar da crescente tensão, o governo brasileiro descarta, por ora, medidas como a expulsão de diplomatas ou a convocação da embaixadora brasileira em Washington. O foco segue na construção de uma frente diplomática e econômica internacional, mesmo diante do que fontes classificam como “uma corda sendo esticada” por Washington.