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Mundo Lula condena ação dos Estados Unidos, mas evita queimar pontes com a Casa Branca

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Um novo distanciamento abriria espaço para que o norte-americano (E) tomasse partido nas eleições deste ano no Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A ação de Donald Trump na Venezuela deixou o Brasil em uma saia-justa. Desafiando a postura de Lula em defesa de uma autonomia regional, o episódio expôs contradições e limites da política externa brasileira em um momento delicado, no qual Brasília tenta equilibrar princípios históricos de não intervenção com interesses pragmáticos de comércio e diplomacia.

A intervenção americana e a captura de Maduro aconteceram justamente num momento de reaproximação entre os governos Lula e Trump. Com um objetivo claro: reverter o tarifaço imposto contra o Brasil. Essa agenda econômica tem sido considerada prioritária pelo Planalto, sobretudo diante da necessidade de proteger setores estratégicos da indústria nacional e evitar impactos negativos sobre exportações e empregos.

Por isso, apesar de Lula condenar o que chamou de “afronta à soberania da Venezuela”, o Planalto deve evitar queimar pontes com a Casa Branca. Ainda mais depois de ter conseguido que Trump retirasse algumas das tarifas impostas contra o Brasil. Na avaliação de integrantes do governo, preservar canais de diálogo é fundamental para manter algum grau de previsibilidade na relação bilateral.

Para analistas, o governo brasileiro deve evitar subir demais o tom ou personalizar a defesa de Maduro para não irritar os Estados Unidos. Assim, o foco do governo brasileiro deverá ser a defesa das regras internacionais, e não de governos. Essa abordagem permitiria ao Brasil sustentar uma posição coerente com sua tradição diplomática, sem assumir custos políticos excessivos.

Isso ficou claro num comunicado em conjunto do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, que rejeitou “qualquer intenção de controle” sobre a Venezuela e defendeu o “respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados”. O texto buscou reforçar princípios gerais do direito internacional, evitando menções diretas a lideranças ou a justificativas específicas para a intervenção.

Outro ponto central é a mitigação de danos regionais. O Brasil teme que a intervenção aumente a instabilidade na região e pressione temas sensíveis como migração, crime organizado, energia e comércio. Autoridades brasileiras avaliam que um agravamento da crise venezuelana pode gerar efeitos diretos sobre países vizinhos, incluindo o próprio Brasil.

Questões que exigem diálogo com Washington, principalmente se houver uma maior intervenção americana na Venezuela. E aí é a tal ponte diplomática que o governo brasileiro não quer queimar. A manutenção desse diálogo é vista como essencial para administrar riscos e buscar soluções coordenadas.

Mas a pressão sobre o governo Lula também acontece no ambiente doméstico. No Brasil, opositores já usam a crise venezuelana no cenário que se desenha para a disputa eleitoral de 2026, associando o petismo ao chavismo. (Com informações da Deutsche Welle)

 

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