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Brasil O ex-presidente Lula foi interrogado pela juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro, sobre o processo do sítio de Atibaia

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O ex-presidente Lula deixou o local onde está preso desde abril. (Foto: André Richter/Agência Brasil)

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou pela primeira vez a PF (Superintendência da Polícia Federal), e chegou ao prédio da Justiça Federal, em Curitiba, às 13h40min desta quarta-feira (14) para ser interrogado. A audiência – referente a um processo da Operação Lava-Jato – foi marcada para o período da tarde.

Esta foi a primeira vez que o ex-presidente saiu de onde está preso desde abril. Não houve bloqueios no trajeto até o local do interrogatório.

Apoiadores do ex-presidente estão em frente à sede da Polícia Federal, onde Lula está preso, e ao prédio da Justiça Federal, onde acontece a audiência.

A oitiva ficou a cargo da juíza federal Gabriela Hardt. Lula é réu nesta ação penal. Ele responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Conforme o MPF (Ministério Público Federal), o ex-presidente recebeu propina de empresas como a OAS e a Odebrecht por meio da reforma e decoração no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que frequentava com a família. Outras 12 pessoas são rés neste processo.

Os valores foram repassados ao ex-presidente em reformas realizadas no sítio, de acordo com os procuradores do MPF. Segundo a denúncia, as melhorias no imóvel totalizaram R$ 1,02 milhão. Ex-executivos da Odebrecht afirmaram que o departamento de propina da empresa bancou parte das obras.

Lula nega as acusações e afirma não ser o dono do imóvel, que está no nome de sócios de um dos filhos do ex-presidente.

O empresário Fernando Bittar, um dos donos do sítio, responde por lavagem de dinheiro. Interrogado pela Justiça, na segunda-feira (12), Bittar disse que achava que Lula faria o pagamento das obras na propriedade.

O pecuarista José Carlos Bumlai, que é amigo de Lula e réu por lavagem de dinheiro nesta ação penal, também foi elencado para ser interrogado nesta quarta-feira. Estes são os últimos depoimentos da ação, que depois vai para a fase final.

Juíza substituta

Os interrogatórios, que começaram na semana passada, estão sob o comando da juíza federal Gabriela Hardt, substituta na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba.

Sérgio Moro era o juiz federal responsável pelos processos da Lava-Jato na primeira instância, porém, ao aceitar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para ser ministro da Justiça, se afastou do cargo.

Em 5 de novembro, Moro comunicou que tiraria férias por 17 dias e que pedirá exoneração perto da posse, ou seja, no início de janeiro.

Gabriela Hardt começou a trabalhar com Moro em 2014 e, desde então, já o substituiu em audiências.

Seleção do novo juiz

A seleção do novo juiz é de responsabilidade do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Com a saída de Moro, o TRF-4 deve abrir um processo informando que há uma vaga aberta. Quem pode participar são os juízes federais da região sul do Brasil. Entre os interessados, assume o juiz que tiver o maior tempo de magistratura.

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