Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de julho de 2018
Insistindo no discurso público de que é pré-candidato à Presidência da República nas eleições 2018, mesmo preso e condenado na Operação Lava-Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de enviar comentários sobre os jogos do Brasil no Mundial para o jornalista José Trajano, da TVT, emissora mantida por sindicatos.
Pela legislação eleitoral, pré-candidatos não podem apresentar ou comentar programas de rádio e TV desde o dia 30 de junho. Conforme comunicação da assessoria de Lula, o ex-presidente continuará escrevendo comentários para publicação em suas redes sociais.
Nessa segunda-feira, Lula escreveu que o Brasil fez o seu “melhor jogo” contra o México, na vitória por 2 a 0 pelas oitavas de final da competição. “Se continuar jogando com espírito de coletividade e futebol solidário, cada jogador fazendo melhor o que sabe, temos muita chance de chegar à final”, afirmou, conforme divulgação da assessoria.
O petista palpitou que, contra a Bélgica, na próxima sexta-feira, a Seleção Brasileira vai ganhar por 3 a 1. Ele ainda disse que a Inglaterra é a equipe com maior chance de chegar à final.
Lula sai, Haddad entra
A insistência do PT com a candidatura do ex-presidente, que está preso e impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa, parece ter chegado ao fim. Movimentos internos no partido indicam que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad poderá se viabilizar-se como pré-candidato da legenda à Presidência da República em breve. Haddad foi convocado para detalhar o plano de governo do PT que será apresentado durante a campanha e mantido caso Lula seja impedido pela Justiça de participar do pleito.
As diretrizes do plano de governo são mantidas em sigilo pela cúpula do partido, mas assessores informaram à reportagem que as grandes preocupações do PT são segurança e economia. A oficialização da candidatura de Haddad, vista como certa, só será feita depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar Lula inelegível. Contudo, o ex-prefeito já aparece até em pesquisas de intenção de voto, como a divulgada semana passada pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Ibope. No levantamento, Lula aparece com 33% e, em um cenário sem ele, Haddad tem 2% das intenções de voto.
Lula está cada vez mais próximo de seu ex-ministro da Educação e já detalhou a ele suas ideias. Para facilitar a conversa, o ex-presidente decidiu que Haddad passará a integrar a equipe de advogados que vai representá-lo junto ao TSE. O ex-prefeito é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), mas o objetivo está longe de ser aproveitar o seu conhecimento jurídico. A principal vantagem é que, graças ao fato de ser advogado de Lula, Haddad passa a ter o direito de visitá-lo todos os dias na sede da Polícia Federal em Curitiba, e pode receber orientação constante do mentor.
Levantamentos apontam que o nome de Haddad seria o mais palatável neste momento de radicalização. O ex-prefeito é visto como conciliador, com trânsito até mesmo na ala do PSDB liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Há quem fale, inclusive, que PT e PSDB estão fechados, atuando nos bastidores por um acordo político entre ambas as legendas.
Para fortalecer Haddad e sinalizar que ele será o candidato do PT, Lula também escolheu o pupilo para ser o interlocutor do partido junto às Forças Armadas. Foi Haddad quem conversou com o general Eduardo Villas Bôas dentro da proposta dos militares de ouvirem os pré-candidatos. A princípio, esse papel caberia a Jaques Wagner, ex-ministro da Defesa, que circula com desenvoltura na caserna.
Planos C e D Há pressa dentro do PT para que o candidato do partido ao Palácio do Planalto seja definido logo, uma vez que os pré-candidatos estão mostrando a cara todos os dias enquanto o partido perde tempo batendo o pé por Lula. Mas os petistas reconhecem que não podem abandonar o ex-presidente, uma vez que, até o posicionamento oficial do TSE, ele será o candidato oficial à Presidência da República.
A ideia é fazer com que Lula continue em alta, com força suficiente para transferir seus votos a Haddad. Em todas as pesquisas de intenção de votos, Lula aparece na liderança quando citado. O partido também acredita que Haddad atrairá a atenção dos eleitores que dizem que anularão os votos ou votarão em branco.
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