Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu a aliados, nessa quarta-feira (7), que sua campanha à reeleição ficou abaixo do que esperava e classificou a organização do primeiro turno como a menos estruturada de suas disputas presidenciais desde 1989. A declaração ocorreu em reunião com parlamentares aliados, atuais e eleitos, e foi feita ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que coordena a campanha.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, afirmou Lula. A fala, feita em tom descontraído, expôs uma cobrança pública sobre a condução da campanha após o presidente terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A declaração ocorreu em uma reunião que era transmitida pelo canal do PT no YouTube. A transmissão foi interrompida após a fala de Lula e voltou ao ar cerca de 13 minutos depois. O episódio fez com que o conteúdo do encontro ganhasse repercussão.
Lula também afirmou que esperava ter terminado o primeiro turno à frente do adversário e disse ter estranhado o resultado. “Nesta eleição, eu não conseguia enxergar como não ganharíamos pelas entregas que fizemos. (…) Isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade entendesse o que fizemos”, declarou.
O resultado levou a campanha petista a revisar a estratégia para a segunda etapa da disputa. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula na votação. Segundo dados divulgados após a apuração, o senador obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente ficou com 45,16%.
A comunicação passou a ser um dos principais pontos de mudança. Aliados defendem maior presença de Lula nas redes sociais e uma linguagem mais direta. O presidente já publicou vídeos em formato selfie, convocando apoiadores a ocupar as ruas e apresentando propostas para o segundo turno. A campanha também passou a dar mais espaço a temas como segurança pública e ao fim da escala de trabalho 6×1.
Além das mudanças na comunicação, a estrutura de comando da campanha também foi ampliada. O senador Camilo Santana (PT-CE) passou a dividir a coordenação-geral com Edinho Silva. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Rui Costa e Jaques Wagner também deverão ter participação maior na articulação política e territorial. A reorganização ocorre antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Durante a reunião, Lula também defendeu maior unidade entre os partidos de esquerda. Para o presidente, as legendas do campo progressista poderiam, no futuro, formar uma única sigla. “Haverá um dia em que a esquerda vai estar em um partido só. É uma questão de maturidade e de tempo. Muitas vezes, a gente não tem divergência programática, tem sustentabilidade de cargo de quem está e não quer sair”, afirmou. (Com informações de O Estado de S.Paulo)
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