Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 14 de novembro de 2018
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (14), à Justiça Federal, que é vítima de uma farsa nos processos da Operação Lava-Jato e o clima com a juíza federal Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro, ficou tenso. O petista foi interrogado como réu dano processo em que é acusado de receber R$ 1 milhão em propinas nas reformas do sítio de Atibaia (SP). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Lula ficou frente a frente pela primeira vez com a substituta do juiz Sérgio Moro, que tirou férias e anunciou sua demissão para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Lula disse não acreditar que Dona Marisa Letícia, que morreu em 2017, tenha pedido reformas no sítio de Atibaia, conforme afirmaram delatores da Odebrecht. Negou também ser o dono da propriedade, chamada por ele de “chácara”, e que era convidado a dormir no local.
Era 13h30min quando o petista deixou a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso e condenado desde o dia 7 de abril. Em uma viatura da PF com vidros pretos e sob forte escolta, foi levado à Justiça Federal. O depoimento começou logo após as 15h – o primeiro ouvido foi o pecuarista e amigo José Carlos Bumlai.
Tensão
No começo da audiência, ao dizer que não sabia do que era acusado, Lula foi advertido pela juíza federal Gabriela Hardt para mudar o tom. No início da audiência, Lula disse não saber do que era acusado, ao ser perguntado pela juíza se ele sabia do que estava sendo acusado. “Eu gostaria de pedir se a senhora pudesse explicar qual é a acusação.”
A juíza, que já atua como substituta de Moro nos processos da Lava Jato desde 2014, advertiu Lula depois dele falar que queria entender se ele era “o dono do sítio ou não?”.
“É o senhor que tem que responder.”
Hardt disse então: “senhor ex-presidente, esse é um interrogatório e se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema. Então vamos começar de novo, eu sou a juíza do caso e eu vou fazer as perguntas que eu preciso para que o caso seja esclarecido para que eu possa sentenciá-lo ou algum colega possa sentencia-lo. Então em um primeiro momento eu quero dizer que o senhor tem todo direito de ficar em silêncio, mas nesse momento eu conduzo o ato.”
Lula pediu desculpas aos representantes do Ministério Público Federal no final da audiência, “não é pessoal”. Mas disse ficar muito irritado com “as mentiras do power point”, em referência à apresentação feita pela força-tarefa da denúncia contra o ex-presidente, em 2016.
O ex-presidente disse que “era o troféu que a Lava-Jato precisava entregar”. E disse que aos 73 anos não sabe se viverá até quando conseguir comprovar sua inocência.
Acusação
Na ação do sítio, Lula e outros 12 réus são acusados de ocultarem propinas de contratos da Petrobrás em reformas e compra de equipamentos para o imóvel. A Lava-Jato entende que a propriedade é do ex-presidente, mas em nome de “laranjas”, mas o caso ainda está sob investigação e pode virar outra denúncia.
O ex-presidente, segundo a força-tarefa da Lava-Jato, teria sido contemplado com propina de R$ 1,02 milhão. O dinheiro seria de José Carlos Bumlai, relacionados a empréstimo fraudulento com o Grupo Schahin ao PT e negócios da empresa com a Petrobras, e da Odebrecht e da OAS, também decorrentes de contratos com a estatal.
O ex-presidente é acusado de 10 atos de corrupção e 44 atos de lavagem de dinheiro nesse processo. As reformas teriam ocorrido entre os anos de 2010 e 2011 e depois entre 2013 e 2014 houve a compra e reforma da cozinha do imóvel. Tanto os delatores da Odebrecht como o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, confirmaram em juízo que executaram os serviços em benefício do petista.
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