Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de outubro de 2023
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nessa terça-feira (24) a reação de Israel após o ataque do grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza. “Não é porque o Hamas cometeu um ato terrorista que Israel tem que matar inocentes. Não é possível que as pessoas não tenham sensibilidade. Não é possível. Se a ONU tivesse força, a ONU poderia ter interferência maior. Os Estados Unidos poderiam ter interferência maior. Mas as pessoas não querem. As pessoas querem guerra, as pessoas querem incentivar o ódio, querem estimular o ódio. E eu não vejo assim. Podem me criticar o quanto quiserem. O Lula vai continuar falando em paz, em diálogo, o Lula vai continuar chorando pela morte das crianças do planeta Terra”, declarou Lula durante o programa Conversa com o Presidente.
O presidente disse que vai seguir negociando de forma contínua em favor de uma solução que traga a paz para o Oriente Médio, no conflito que já deixou milhares de mortos. Foi a primeira participação do presidente no programa desde a cirurgia no quadril, no fim de setembro.
“Se você não falar em paz todo dia, as pessoas esquecem que é possível construir a paz. Eu vejo as autoridades falando em guerra, que fulano tem que matar sicrano, que tem que derrotar. Não é assim que a gente resolve o problema. Numa mesa de negociação não morre ninguém, custa mais barato e a gente pode encontrar a solução”, afirmou o presidente. “Esse é o meu papel: tentar criar condições para que a gente sente na mesa de negociação”.
Lula destacou que, mesmo se recuperando da operação em Brasília, telefonou para diversos líderes mundiais com o objetivo de estabelecer um diálogo multilateral que ajude a parar as hostilidades na região. Desde o último dia 11, ele conversou com os presidentes de Israel (Isaac Herzog), da Autoridade Palestina (Mahmoud Abbas), do Irã (Ebrahim Raisi), do Egito (Abdel Fattah el-Sissi), da Turquia (Recep Tayyip Erdogan), da França (Emmanuel Macron), da Rússia (Vladimir Putin), dos Emirados Árabes (Mohammed bin Zayed Al Nahyan) e do Conselho Europeu (Charles Michel)
“Eu estou falando com todo mundo para conseguir três coisas. Primeiro, garantir um corredor humanitário para que as pessoas possam receber água, comida e remédios. Garantir que não falte energia elétrica nos hospitais para que as pessoas possam ser tratadas e garantir que não se mate mais crianças”, salientou o presidente.
Para Lula, além da atuação limitada da ONU – cujo Conselho de Segurança não conseguiu aprovar ainda uma resolução garantindo corredores humanitários, a saída de estrangeiros de Gaza e um cessar-fogo -, o discurso de algumas autoridades acaba inflamando a situação e ampliando a violência.
Na entrevista, o presidente Lula também comentou que falou sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia durante o telefonema com Putin, na última segunda-feira. Em sua opinião, é necessário que os combates parem o quanto antes, para dar início ao processo de paz, e para que o custo para as pessoas comuns não seja ainda mais alto.
“Ainda ontem falei com o Putin sobre a guerra da Ucrânia e sobre a guerra do Oriente Médio. É preciso que as pessoas parem. É preciso que as pessoas compreendam que você leva 10 anos para construir uma casa e com um foguete você destrói um prédio inteiro. Será que as pessoas não têm senso de humanidade, senso de responsabilidade? Cadê o humanismo, cadê a fraternidade, cadê a solidariedade, cadê a nossa paixão pelas crianças? Cadê o nosso pensamento no futuro? Ou seja, o futuro é isso? É guerra?”, provocou.
Lula também celebrou o sucesso da Operação Voltando em Paz, que ao longo de 12 dias repatriou 1.413 passageiros (1.410 brasileiras e três bolivianas) e 53 animais de estimação que estavam em Israel, em oito voos comandados pela Força Aérea Brasileira (FAB). Foi a maior remoção de brasileiros de uma área em conflito da história.
“O que fizemos, de buscar a nossa gente lá, é para dizer o seguinte: ‘Ninguém larga a mão de ninguém nesse país’. Qualquer brasileiro que estiver dentro da área de guerra, que precisar voltar, nós não mediremos esforços, iremos buscar. Eu não quero saber de que partido as pessoas são. Não quero saber de que religião são. Eu não quero saber para que time torcem, eu não quero saber em quem votaram. Eu quero saber que são brasileiros e brasileiras”, enfatizou.
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