Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de setembro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria sendo aconselhado por aliados próximos a adotar uma postura mais crítica em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A orientação, segundo esses interlocutores, seria no sentido de “soltar a mão de Alexandre de Moraes”. Na prática, isso significaria defender publicamente que o ministro considere pedir licença do STF para se dedicar à própria defesa diante das recentes revelações envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro.
A avaliação feita por integrantes próximos ao presidente é de que a repercussão das informações sobre a relação de Moraes com Vorcaro e sua proximidade com o Banco Master acabou atingindo também a imagem do governo Lula. Para esses aliados, a percepção de que o episódio envolve diretamente o ministro passou a produzir consequências políticas para o presidente, o que tornaria necessário reagir e tentar desvincular o governo das controvérsias.
Dentro desse grupo, há a avaliação de que Lula precisaria se posicionar de maneira mais clara diante do episódio, especialmente diante da repercussão pública das revelações e dos questionamentos relacionados à atuação de Moraes. A preocupação, segundo um aliado, estaria relacionada aos possíveis efeitos políticos do caso sobre o presidente e seu governo.
“Até por uma questão de sobrevivência ele precisa se posicionar.”
A relação entre Lula e Moraes já havia sido tema de uma conversa meses atrás. Em abril, segundo o relato, o presidente teria feito uma ponderação ao ministro durante um encontro entre os dois. Na ocasião, Lula teria destacado a trajetória construída por Moraes no STF e feito um alerta sobre os possíveis impactos que o caso envolvendo Vorcaro poderia provocar sobre sua imagem pública e seu legado.
“Você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia.”
A fala teria ocorrido em um contexto no qual o presidente reconhecia a relevância da atuação de Moraes no julgamento dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro e, ao mesmo tempo, demonstrava preocupação com os efeitos que novas revelações poderiam ter sobre a reputação do ministro.
Após essa conversa, Lula teria sido procurado pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino. De acordo com o relato, ambos teriam pedido ao presidente que evitasse ataques públicos a Moraes. A interlocução indicaria a existência de diferentes avaliações dentro do próprio ambiente político e institucional sobre a melhor forma de o governo lidar com o episódio. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)
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