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Política Lula faz aceno à China e diz que se os Estados Unidos não quiserem comprar do Brasil, venderá para outros

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O presidente ressaltou que o Brasil permanece aberto ao diálogo, mas com altivez. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times publicada na madrugada dessa quarta-feira (30) que buscará outros compradores para os produtos brasileiros caso a exportação para os Estados Unidos diminua após o tarifaço. “Se os Estados Unidos não quiserem comprar algo de nós, nós vamos atrás de quem queira. Temos uma relação comercial extraordinária com a China”, disse Lula.

Lula também disse ao jornal que tem tentado contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir as tarifas, mas que “ninguém quer conversar”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nessa quarta-feira uma ordem executiva que impõe uma tarifa adicional de 40% sobre produtos do Brasil, elevando a taxação total para 50%: a mais alta já aplicada a um país desde o início do tarifaço. A medida integra uma nova rodada de sanções comerciais contra nações parceiras dos EUA.

Lula concedeu a entrevista no Palácio do Alvorada, numa “sala imponente coberta por uma tapeçaria colorida no palácio presidencial modernista, onde emas vagam pelos gramados”, na descrição do jornal. O NYT retratou o presidente brasileiro como “um esquerdista em seu terceiro mandato e indiscutivelmente o estadista latino-americano mais importante deste século”. O jornal ainda destacou a afirmativa de Lula de que não receberá ordens de Trump.

O presidente ressaltou que o Brasil permanece aberto ao diálogo, mas com altivez. “Tenham certeza de que estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não exige subserviência”, disse o presidente brasileiro. “Trato a todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito.”

Uma das questões levantadas pelo jornal foi a cobrança de Trump para que o Brasil encerre o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condição para que o tarifaço seja revisto. Bolsonaro está sendo julgado pelo STF sob acusação de golpe de Estado, entre outras. Lula reforçou que o Judiciário brasileiro é independente e que o processo seguirá o seu curso democrático e legal.

“Talvez ele (Trump) não saiba que aqui no Brasil o Judiciário é independente”, respondeu Lula. O presidente do Brasil disse ser “vergonhoso” que Trump tenha feito suas ameaças em sua rede social, Truth Social. “O comportamento do presidente Trump se desviou de todos os padrões de negociação e diplomacia”, disse ele. “Quando você tem um desentendimento comercial, um desentendimento político, você pega o telefone, marca uma reunião, conversa e tenta resolver o problema. O que você não faz é taxar e dar um ultimato.”

Lula ressaltou que o Brasil está permanentemente aberto a negociações, e que os canais diplomáticos não foram fechados pelo lado brasileiro. Porém, não é possível que as negociações se deem com base no medo ou na ameaça. Mesmo reconhecendo o poderio dos Estados Unidos.

“Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande”, disse ele. “Conhecemos o poder econômico dos Estados Unidos, reconhecemos o poder militar dos Estados Unidos, reconhecemos o tamanho tecnológico dos Estados Unidos”, disse o presidente Lula. “Mas isso não nos deixa com medo. Nos deixa preocupados”, acrescentou.

Ele destacou que a postura de Trump, se mantida, prejudicará também o povo americano, que enfrentará preços mais altos por café, carne bovina, suco de laranja e outros produtos que são, em grande parte, originários do Brasil, segundo o NYT.

“Nem o povo americano nem o povo brasileiro merecem isso”, disse ele. “Porque vamos passar de uma relação diplomática de 201 anos de ganha-ganha para uma relação política de perde-perde.”

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