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Geral Lula faz café com jornalistas no dia de seu aniversário, mas diz que não consegue comemorar

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu o discurso contrário ao uso do instrumento da Garantia da Lei e da Ordem (GLO). (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva completou 78 anos nessa sexta-feira (27), mas afirmou que não conseguiria comemorar a data por causa da guerra entre Israel e Hamas. Em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, o presidente mostrou várias vezes o inconformismo com a continuidade do conflito. “Parece que as pessoas perderam a humanidade”, afirmou.

Segundo Lula, não haveria festa na data, apenas uma reunião com os familiares mais íntimos. “O mundo está mais triste”, disse. “Vejo as crianças na Faixa de Gaza, fico com coração partido como ser humano, então não é motivo para fazer festa”, explicou.

Lula afirmou ainda que é “insanidade” o fato de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, querer acabar com a Faixa de Gaza. O presidente defende o fim do poder de veto de membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para que a entidade assuma uma posição mais forte em relação ao conflito entre os israelenses e o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

“O ato do Hamas foi terrorista, que não é possível fazer um ataque, matar inocentes, sequestrar gente da forma que eles fizeram, sem medir as consequências do que acontece depois. Porque, agora, o que nós temos é a insanidade do primeiro-ministro de Israel querendo acabar com a Faixa de Gaza, se esquecendo que lá não tem só soldado do Hamas, que lá tem mulheres e crianças, que são as grandes vítimas dessa guerra”, disse Lula.

O presidente explicou que o Brasil não reconhece o Hamas como organização terrorista, porque o país segue as avaliações do Conselho de Segurança da ONU.

“A posição nossa é clara. Toda guerra não tem apenas um culpado, ou um mais culpado. O Brasil fez crítica veemente, como nós condenamos a Rússia de ter invadido o território ucraniano, isso está explícito no comportamento do Brasil. Mas isso não significa que eu sou obrigado a me colocar ao lado da Ucrânia para guerrear. Eu quero me colocar ao lado daqueles que querer pedir paz”, disse Lula comparando com o conflito no leste europeu e reafirmando a posição do Brasil na condenação dos atos do Hamas.

O presidente Lula continua manifestando sua preocupação com o grupo de cerca de 30 brasileiros que estão na Faixa de Gaza, aguardando um acordo entre Israel e o Egito para abertura da fronteira ao sul do enclave (termo da geografia, que se refere a um território totalmente cercado por outro, com características políticas, sociais e culturais distintas).

“Alguém tem que falar em paz”, disse. “É com o poder desse diálogo que eu acho que em algum momento a gente vai conseguir sentar à mesa [de negociação]. Eu não posso como ser humano, a gente ver a quantidade de crianças mortas em uma guerra e ninguém assumir a responsabilidade por essas mortes. Cada um se acha mais inocente e as crianças vão perecendo”, acrescentou.

O presidente também relatou que está praticamente restabelecido da cirurgia a que foi submetido na região do quadril e que, assim que estiver liberado pela equipe médica, retomará a rotina de viagens pelo Brasil para dialogar com a população, sociedade organizada e gestores locais e estaduais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência Brasil.

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