Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar o adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), e defendeu a aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso. Nessa sexta-feira (9), no primeiro ato de rua da nova etapa da campanha, Lula também indicou que participará de debates na televisão e na internet, após faltar aos encontros do primeiro turno.
“Queria que vocês tivessem certeza que vamos ganhar as eleições. Pode ficar certo. Esse país não voltará a ser governado pelo fascismo, não será governado pelos assassinos da Covid, pelos sócios do banco Master e do Vorcaro”, afirmou. “Terá muito debate na TV, na internet. Agora estou virando o rei da selfie. Estou virando um internauta.”
Lula também defendeu a prisão dos responsáveis por irregularidades no Banco de Brasília (BRB). Ele participou de uma caminhada de pouco mais de uma hora ao lado de Leandro Grass (PT), candidato ao governo do Distrito Federal, que disputa o segundo turno com a governadora Celina Leão (PP).
“Essa é a passeata daqueles que querem reduzir a jornada de trabalho. Daqueles que querem trabalhar cinco dias e folgar dois. Daqueles que querem prender os ladrões do BRB. Essa é a passeata daqueles que querem distribuir livros e não armas para as crianças”, declarou.
Após os primeiros dias do segundo turno dedicados à reorganização da campanha e a reuniões com aliados, Lula seguirá para Natal (RN) no sábado. A equipe também prepara compromissos no Sudeste para ampliar a mobilização dos eleitores antes da votação, marcada para 25 de outubro.
Retrocessos
Na tentativa de reverter a vantagem de Flávio, a campanha de Lula passou a enfatizar possíveis consequências negativas de uma vitória do adversário, associando sua chegada ao Palácio do Planalto a riscos de retrocessos sociais e mudanças em políticas públicas. A estratégia busca alcançar eleitores indecisos e apoiadores do candidato do PL pouco convictos.
Entre os temas que serão explorados estão possíveis cortes no Farmácia Popular, no Pé-de-Meia, no Minha Casa, Minha Vida, na merenda escolar e no Gás do Povo. A campanha também pretende destacar que, durante o governo de Jair Bolsonaro, não houve aumento real do salário mínimo, argumento utilizado para questionar a política econômica que poderia ser adotada por seu filho.
Na quinta-feira (8), Lula publicou um vídeo em que criticou o plano de cortes de R$ 200 bilhões no orçamento atribuído a Flávio.
“Quando eles falam em cortar R$ 200 bilhões do orçamento, você sabe de onde eles vão cortar? Do Pé-de-Meia, do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida, da merenda escolar, do Gás do Povo. E não vão dar aumento acima da inflação para trabalhadores e aposentados”, afirmou.
A proposta de Flávio de alterar a Constituição também será explorada. Na terça-feira, o candidato do PL disse que pretende aproveitar a nova composição do Congresso para promover mudanças na Carta e “redemocratizar o país”.
Na quarta (7), o vice-presidente Geraldo Alckmin, que terá participação mais ativa na campanha, criticou a declaração. “Mal terminou o primeiro turno das eleições e eles já estão falando em mudar a Constituição para redemocratizar o Brasil. A ditadura falava a mesma coisa, quando falava em trocar a Constituição e impôs uma nova, totalmente autoritária”, disse.
A estratégia contará com deputados eleitos, influenciadores digitais e ministros do governo. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o corte de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) anunciado por Flávio poderia inviabilizar programas como o Pé-de-Meia e bolsas da Capes.
“O Pé-de-meia é o primeiro a acabar. Acaba o discricionário das universidades. A conta não fecha”, declarou.
Na quinta, Flávio rebateu as críticas e negou que pretenda prejudicar pessoas de baixa renda e aposentados. “Não vou fazer economia em cima de quem precisa. Aposentado, fique tranquilo. Não caia nessa ‘fake news’ do PT”, afirmou.
A estratégia de associar adversários a possíveis perdas sociais já foi usada em outras eleições. Em 2014, a campanha de Dilma Rousseff explorou os riscos atribuídos à proposta de autonomia do Banco Central defendida por Marina Silva. Em 2022, Jair Bolsonaro afirmou repetidamente que uma vitória de Lula poderia levar o Brasil a se tornar uma Venezuela.
Em 2002, a atriz Regina Duarte participou da propaganda eleitoral de José Serra e declarou, ao falar sobre a possibilidade de o PT chegar ao poder: “Eu tenho medo”. (Com informações do jornal O Globo)
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