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Política Lula insistiu, bateu o pé, manteve o nome de Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu e da pressão que sofria para ir por outro caminho

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o nome de Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu, bateu o pé, manteve o nome de Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu e da pressão que sofria para ir por outro caminho. E perdeu. Perdeu sendo relembrado, da pior forma, da força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E da insatisfação do Congresso atual com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula nunca teve base confortável, mas conseguia se virar no Senado, sempre com o auxílio de Alcolumbre. Sem ele, percebeu que não tem nem maioria simples dos parlamentares na Casa. Se, depois de quatro meses empurrando a indicação com a barriga, o presidente do Senado aceitou pautar a indicação do petista, na melhor das hipóteses, não moveu uma palha sequer para ajudar. Lavou as mãos para, agora, poder dizer: “Na próxima, me ouça”.

Alcolumbre preferia Rodrigo Pacheco, indicado por Lula como pré-candidato ao governo de Minas, a despeito de sua notória preferência por uma vaga ao STF. Quem conhece Lula aposta que isso não mudará. Outro nome será proposto, que não Pacheco. Mas a pressão no Parlamento vai aumentar e os custos de uma segunda derrota podem ser ainda mais pesados para o Planalto.

Mesmo sem Alcolumbre, porém, a aprovação de Messias, em outras circunstâncias, era possível. André Mendonça, da mesma forma, não contou com o apoio de Alcolumbre e, na ocasião, Bolsonaro sofria do mesmo mal que Lula. Mas foi aprovado, mesmo diante de divisões no plenário.

O que mudou de lá para cá? O principal é a insatisfação do Congresso com o STF. As posturas de Gilmar Mendes, Flávio Dino, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, sobretudo, avançando sobre o Parlamento, galvanizaram um sentimento negativo que acabou desaguando em Messias.

Linha traçada

Com ministros desautorizando CPIs, interpretando leis e mirando em parlamentares, o Congresso reagiu não apenas a Lula, mas também à Corte. Com impeachments de ministros travados por Alcolumbre, quis traçar uma linha para dizer que, de agora em diante, só entra na Corte quem o Parlamento verdadeiramente quiser. Sobretudo em um momento em que não apenas as prerrogativas, mas emendas e orçamento secreto, estão em debate.

Quando Lula anunciou Messias, o presidente resolveu pagar para ver ao enfrentar o desejo de Alcolumbre, com olhos em batalhas no STF. Pesou na balança de Lula a eventual discussão sobre a impositividade de emendas ao Orçamento em um possível quarto mandato. E Lula perdeu. (Ricardo Corrêa/Estadão Conteúdo)

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