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Colunistas LULA IV

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A vitória de Lula foi consagradora e surpreendente.(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A vitória de Lula foi consagradora e surpreendente. Como imaginá-la, se o Datafolha, na quinta-feira, 23, dava como empatada em 50 por cento a eleição e no sábado apontava 51% para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula? A impressão era de que na última volta do ponteiro, Bolsonaro havia tomado a dianteira e estava em curso uma onda a seu favor.

Com 82 anos fui à urna duas vezes para votar em Lula. Assinei manifesto. Minha razão maior foi a defesa da democracia: Lula nunca embarcou em aventuras golpistas ou autoritárias, ao contrário do seu oponente. Era a mesma ordem de razão pela qual, já no segundo turno de 2022, tinha votado em Lula.

O fato é que estava, sim, em andamento uma onda, o deslocamento de uma placa tectônica da opinião pública, mas em favor de Lula – que nenhuma pesquisa captou.

Terá sido o acúmulo do formidável trabalho de André Janones – esse improvável herói da esquerda – nas redes sociais, com o seu mal denominado “Exército de Lula “? Terão sido as manifestações de massa nas ruas das grandes cidades do país?

Terá sido o poder catalisador das bondades distribuídas a rodo por Lula, usando e abusando da máquina pública, como nunca antes na história deste país, gastando sem medo de ser feliz nosso rico dinheirinho para ganhar a eleição? Terá sido uma força cósmica desconhecida que tenha olhado para o Brasil para impedir um governo autoritário de direita, meio sabujo de Trump, chefiado por um personagem com o DNA do golpismo?

Não foi pelos debates, certamente. Lula teve bons momentos na Band e na Globo, mas nada de espetacular e decisivo. Não pode ter sido por causa dos resultados já definidos, as eleições para governador, deputados e senadores, em que a direito ponteou e venceu com folga.

Provavelmente a soma de todas essas razões e de outras não mencionadas. Nunca saberemos. Mas é bom fazer este registro: também nunca saberemos do que nos livramos.

O fato é que em todas as regiões e em todas as classes e categorias Lula aumentou a votação do primeiro turno em inacreditáveis 10 milhões de votos. Flávio também cresceu em 3 milhões de votos, porém insuficientes para diminuir um pouco a enorme diferença. Um verdadeiro fenômeno.

O que esperar com a vitória de Lula? Bem, a Bolsa caiu e o dólar subiu. Isso é passageiro. Lembro das previsões do mesmo mercado quando Lula ganhou em 2022. Eram aterradoras. Desde então, o dólar se estabilizou e a bolsa movimentou rios de dinheiro: tudo seguiu mais ou menos normal.

É claro, tudo vai depender de Lula, da composição do seu ministério (Geraldo Alckmin é uma excelente pedida para a Fazenda), do governo se conduzir com sensatez e moderação, do STF se recolher ao papel que lhe cabe na Constituição e não interferir tanto na vida nacional, de um apelo e uma prática continuada em favor da coexistência democrática, de banir essa expressão do “nós contra eles” do discurso político, do respeito à lei e às instituições republicanas.

Por agora, está de bom tamanho. Afastou-se ameaça pulsante de uma regressão civilizatória, de um projeto autocrático, como no ensaio mal sucedido de janeiro de 2023, e abriu-se uma nova página para repensar este país.

Tito Guarniere

titoguarniere@terra.com.br

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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