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Política Lula manteve a estratégia de focar as críticas mais duras ao secretário de Estado americano e evitado confronto mais direto com Trump

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Defesa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, uma tela ao fundo exibia os dizeres “o Pix é do Brasil”, em referência à acusação feita pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para sobretaxar o Brasil, de que o país adota práticas desleais de comércio por meio do sistema de pagamentos instantâneo usado por milhões de brasileiros.

A defesa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula, que acusa a família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato ao Planalto, de ter articulado as sanções junto a Donald Trump.

Lula manteve a estratégia de focar as críticas mais duras ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, e evitado confronto mais direto com Trump. A tática, que já havia sido adotada na terça-feira (2), em discurso em evento em Goiás, ficou explícita na abertura da reunião ministerial.

Rubio faz parte da ala mais radical do governo americano e integra o movimento Make America Great Again (Maga). Também é entre os membros do primeiro escalão o que tem relações mais próximas com a família Bolsonaro. De origem cubana, Rubio é ainda um crítico de governos de esquerda da América Latina.

“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado”, afirmou.

Durante o discurso, Lula lembrou declaração de Rubio sobre não considerar o Brasil um aliado. O secretário disse que a América Latina está “cheia de aliados” dos EUA, com exceção de Cuba, Venezuela, Nicarágua, Brasil e o governo colombiano de Gustavo Petro. A declaração foi dada durante um depoimento do chefe da diplomacia americana ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.

“Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana, não é possível”, afirmou o presidente brasileiro.

Vaivém 

Qual é a cronologia e o vaivém de todos tarifaços de Trump?

— De janeiro a abril de 2025: Após medidas iniciais para aço e bens de China, México e Canadá, Trump lança em abril o primeiro tarifaço generalizado. Batizado de “Dia da Libertação”, as tarifas variam conforme o país e tomam por base a Lei de Poderes Econômicos de Emergências Internacionais (Ieepa, na sigla em inglês). O Brasil fica com taxa de 10%.

— Brasil na mira: Trump anunciou, nas redes sociais, em julho, tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, citando o tratamento das autoridades policiais e judiciais nas investigações e processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma “caça às bruxas”.

— No fim de julho: Decreto da Casa Branca confirmou a medida. Alguns produtos ficaram com sobretaxa total de 50%. Junto ao decreto, vinha lista com cerca de 700 exceções. Em paralelo, a Casa Branca anunciou a abertura de investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na seção 301 da Lei de Comércio americana, de 1974, sobre práticas comerciais do Brasil.

— Encontro entre Lula e Trump: Na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Trump e Lula têm seu primeiro encontro pessoal e trocam elogios públicos. O americano diz ter sentido “química” entre eles e acena com a possibilidade de um encontro. Em outubro, Lula e Trump se reuniram frente a frente, na Malásia, para discutir o tarifaço.

— Mais exceções: A Casa Branca anunciou em novembro de 2025 a ampliação da lista de produtos que ficam de fora do tarifaço, vindos de vários países, após meses de pressão de empresas americanas de setores que dependem da importação de insumos e alertaram que estavam repassando aos preços finais a elevação de custos, alimentando a inflação.

— Revés na Justiça: Em fevereiro passado, a Suprema Corte americana considerou inconstitucional boa parte do tarifaço de Trump. Para o órgão, Trump excedeu sua autoridade ao basear a decisão de sobretaxar parceiros comerciais com base na Ieepa. Ficaram suspensas tarifas elevadas com essa justificativa legal. Era o caso das tarifas recíprocas de abril de 2025 e da sobretaxa de 40% contra o Brasil, de julho.

— O rebote de Trump: Logo após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou que assinaria decreto impondo nova tarifa global de 10% sobre todos os países, para substituir as tarifas recíprocas suspensas pela decisão judicial. A ideia, afirmou Trump, foi recorrer à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, driblando a inconstitucionalidade da aplicação da Ieepa.

— Próximos passos: O tarifaço generalizado de 10% aplicado após a decisão da Suprema Corte terminaria no início de julho. O republicano busca adotar tarifas substitutas.  (Com informações do jornal O Globo)

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