Domingo, 18 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a reeleição pelo PT, e o senador fluminense Flávio Bolsonaro, candidato do PL, reforçaram contradições de suas propostas para a economia durante entrevistas, a pouco mais de uma semana do segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo. Ao tratarem de temas econômicos, ambos candidatos citaram medidas que não cabem nas contas do governo, como especialistas já vêm apontando.
O presidente Lula voltou a minimizar a necessidade de moderar as despesas públicas, embora tenha se dito preocupado com o crescimento da dívida pública, mas acrescentou, no rol de medidas e benesses que o atual governo vem anunciando na reta final da campanha, a ideia de oferecer passe livre no transporte público de todas as cidades do país aos fins de semana.
Já Flávio Bolsonaro reafirmou a necessidade de fazer ajustes na condução da economia, criticou o governo Lula, mas repetiu propostas contraditórias para equilibrar as contas, garantindo que, em caso de vitória nas eleições, uma gestão liderada pelo PL não mexerá em alguns dos mais importantes itens para segurar os gastos públicos de forma estrutural, como a regra de reajuste do salário mínimo e a vinculação dos benefícios previdenciários ao piso salarial, segundo a avaliação de diversos especialistas.
Para o economista-chefe da gestora de recursos ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros, as contradições em torno das propostas econômicas nas entrevistas refletiram a campanha até aqui, marcada menos por debates em torno de programas e mais por discursos eleitorais para conquistar votos, ao mesmo tempo em que um ajuste nas contas do governo é urgente.
“Veio dentro do esperado. Não achava, nesta altura do campeonato, que o Lula fosse prometer alguma coisa diferente do que ele está fazendo no curto prazo ou que Flávio fosse (citar medidas que pudessem) dar armas para o PT para bater nele. Então, é uma estratégia de tocar a bola de lado, dos dois candidatos”, afirmou Leal de Barros.
O Presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, ressalta que a primeira versão do Orçamento de 2027, sinalizado no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), apontava superávit primário (saldo positivo entre receitas e despesas, sem contar gastos com juros) de 0,1% do PIB. Diz que a terceira fase do Desenrola prevê leilões para que a União compre R$ 150 bilhões em dívidas das famílias, com descontos de 90% a 93%. Também afirma que o pacote para os microempreendedores individuais (MEIs) prevê o perdão de R$ 12,7 bilhões em dívidas desses contribuintes com a União e a concessão de garantias para a concessão de novos empréstimos, até R$ 5 mil. Defende o crescimento econômico como solução para equilibrar as contas, garante a continuidade da regra de reajuste do salário mínimo, com aumentos acima da inflação. O presidente também menciona a ideia de conceder passe livre no transporte público das cidades de todo o país nos fins de semana, com subsídios federais para municípios e estados.
O pacote de benefícios do governo Lula em meio à campanha já mobilizou R$ 298,4 bilhões em 2026, entre novas despesas e receitas das quais se abrirá mão, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal. Boa parte dessas medidas foi anunciada após o envio da PLDO de 2027 ao Congresso. É o caso, até mesmo, do reajuste pela inflação do benefício básico do Bolsa Família.
Isso significa que o superávit primário de 0,1% do PIB estimado na primeira versão do Orçamento do ano que vem dificilmente se sustentará. Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, na semana passada que as medidas poderão resultar, em 2027, no maior “impulso fiscal” (como economistas chamam o efeito positivo dos gastos públicos no lado da demanda da economia) desde que o Plano Real foi introduzido.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, garante a continuidade da regra de reajuste do salário mínimo, com aumentos acima da inflação. Assegura que o valor mínimo dos benefícios previdenciários, como aposentadorias do INSS e do BPC, seguirá vinculado ao piso salarial. Promete manter a regra orçamentária que determina um valor mínimo de gastos em saúde e educação, definidos conforme uma proporção da arrecadação. Ele também nega privatizações das maiores empresas estatais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras. Propõe cortar gastos com a redução de pelo menos dez ministérios e a diminuição do número de cargos comissionados
Propõe economizar com uma melhoria na gestão das empresas estatais, que hoje registram déficit nas contas públicas e poderiam voltar a ter impacto positivo. O senador defende a ampliação de receitas com a criação de um fundo para reunir todos os imóveis da União, que, segundo o candidato, poderiam ser avaliados em R$ 1,7 trilhão, gerando arrecadação de R$ 200 bilhões por ano.
O presidenciável também defende, na mesma linha, a “securitização” da dívida ativa federal (nesse tipo de operação financeira, os débitos que os contribuintes têm contra a União seriam transformados em títulos negociáveis no mercado, que então seriam repassados a investidores; estes receberiam os valores no futuro, quando as dívidas fossem pagas após cobranças, mediante uma taxa de retorno), no montante de cerca de R$ 3 trilhões, o que, segundo o candidato, poderia gerar arrecadação de R$ 200 bilhões por ano. Defende o início imediato da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, o que poderia ampliar as receitas com royalties. Além de propor a extinção de “penduricalhos” que garantem o pagamento de supersalários a funcionários públicos, o que geraria, segundo o candidato, uma economia de R$ 24 bilhões por ano.
Boa parte dos especialistas em finanças públicas ressalta que medidas do tipo teriam efeito pequeno no equilíbrio geral de receitas e despesas do governo, incluindo aí os gastos com supersalários do funcionalismo. Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia da Tendências Consultoria, disse que é “completamente ilusório” fazer um ajuste apenas com medidas sobre a máquina pública. Felipe Salto, economista-chefe da gestora Warren Investimentos e ex-secretário estadual de Fazenda de São Paulo, lançou dúvidas sobre a proposta de vender ativos, como imóveis da União. (Com informações de O Globo)
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!