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Política Lula na avenida: cinco estragos políticos do carnaval presidencial

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A escola ficou em último lugar do Grupo Especial do carnaval do Rio e foi rebaixada.

Foto: Alex Ferro/RioTur
A escola ficou em último lugar do Grupo Especial do carnaval do Rio e foi rebaixada. (Foto: Alex Ferro/RioTur)

A Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um enredo que mais parecia encomenda de marqueteiro político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além do samba que remetia a jingle eleitoral, com direito ao tradicional “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, e versos com o número do PT, a escola distribuiu em suas alegorias as principais bandeiras de campanha do petista e ataques aos seus opositores.

Se queria polemizar, conseguiu. Se tinha alguma pretensão de ganhar ou gerar benefícios políticos para o presidente Lula, a investida teve efeito contrário. A agremiação sambou e caiu com Lula na avenida. A escola ficou em último lugar do Grupo Especial do carnaval do Rio e foi rebaixada. Ainda terá de prestar uma série de esclarecimentos à Justiça, em razão de acusações de campanha antecipada. Há questionamento inclusive sobre como e por quem seu desfile foi financiado. Na outra ponta, o presidente Lula ficou com pelo menos cinco estragos políticos para resolver:

1. Implodiu pontes com os evangélicos;
2. Empurrou o agronegócio para a oposição;
3. Gerou mais um mal estar com ala do MDB;
4. Deu margem para seu adversário Flávio Bolsonaro ganhar discurso e questionar o PT no Tribunal Superior Eleitoral;
5. Fez Lula ser novamente alvo de uma enxurrada de menções negativas nas redes sociais.

Levantamento da Ativaweb DataLab mostra que foram negativas 54,7% das menções feitas a Lula no Facebook, Instagram, X e TikTok, de sexta-feira (13) até esta quarta-feira (18).

A trend “Família na Lata”, tema de uma das alas do desfile, com críticas às famílias conservadoras, virou o principal assunto na terça-feira. Num momento em que o chefe do Executivo tentava reaproximação com o eleitorado mais religioso, a Frente Parlamentar Católica e a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso ressaltaram que o desfile em homenagem a Lula desrespeitou a fé cristã e que acionarão o Judiciário e órgãos de controle.

No documento entregue à entidade responsável pela organização da festa, a agremiação incluiu os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro) entre os integrantes da ala que chamou de “neoconservadores em conserva”.

O desfile também ajudou a azedar a negociação eleitoral entre o PT e o MDB. A ala majoritária do partido, que já não admite dar apoio a Lula em 2026, pelos fatores pragmáticos dos palanques estaduais, ganhou uma “cereja no bolo”, nas palavras de um interlocutor emedebista, para manter distância da chapa petista ao Planalto. Isso porque a escola levou à avenida o ex-presidente Michel Temer estilizado roubando a faixa da então ex-presidente Dilma Rousseff.

Por fim, a escola deu margem para oposição fazer uma série de questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral de propaganda antecipada e abuso de poder econômico, e, ainda, ajudando indiretamente o senador Flávio Bolsonaro a entoar a retórica de que seu pai, Jair Bolsonaro, foi punido excessivamente pelo TSE.

A situação só não é pior para o presidente Lula porque o Planalto fez recomendações expressas para que ele e seus ministros fossem cautelosos no Sambódromo. Caso contrário, é certo de que haveria um movimento coordenado para fazer o L e pôr a candidatura à reeleição em risco jurídico expresso. Já a escola, que foi fundada em 2018 e subiu para a série principal em 2025, não pareceu nada diligente. Ficou apenas um ano na categoria de elite. (Opinião/jornal O Estado de S. Paulo)

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