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Política Estratégia eleitoral: Lula usa novo atrito com os Estados Unidos para retomar discurso de soberania, elogia à Polícia Federal e fala em “guerra ao crime”

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Lula afirmou que a decisão segue a lógica de resposta equivalente entre os países.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula durante visita a Feira Brasil na Mesa, na Embrapa, em Planaltina (DF). (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado o mais novo atrito entre Brasil e Estados Unidos, a retirada de um delegado da Polícia Federal dos Estados Unidos a pedido do governo Donald Trump, para retomar o discurso de soberania nacional e defesa da pátria.

Com dificuldade de ampliar a percepção na população sobre o que avalia como pontos positivos da própria gestão e em meio ao acirramento da disputa presidencial com Flavio Bolsonaro (PL), Lula pegou carona na divergência com a Casa Branca.

O chefe do Executivo usou o princípio da reciprocidade, com a determinação da perda de credenciais de um oficial americano que atuava da PF em Brasília, e aproveitou para fazer um gesto à corporação, chamando mil aprovados no concurso público.

Assim, Lula combina o discurso de soberania com o endurecimento das falas sobre segurança pública, estratégia de campanha para conquistar o eleitor indeciso que flerta com a possibilidade de votar no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em menos de 24 horas, Lula citou duas vezes que está enfrentando o crime organizado. Na primeira, no vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira, em que anuncia a convocação de 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas para PF, afirma que o “assumiu um compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado”. Nesta quinta-feira, na abertura Feira Brasil na Mesa em Planaltina (DF), voltou a tratar do tema e afirmou que quer mais policiais federais para “prender bandido”.

“Assinei decreto dando mais mil vagas na PF, chamando as pessoas que prestaram concurso. Pela primeira vez na história, a PF vai conseguir ocupar todos os cargos que tem. Nós vamos derrotar o crime organizado e precisamos de todos delegados e todos os agentes trabalhando para prender bandido nesse país”, disse Lula.

Foi na toada da defesa da soberania que que Lula alcançou os melhores índices de popularidade em 2025, em resposta aos tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre a importação de produtos brasileiros. Na época, de acordo com a Quaest, a aprovação subiu de 40% para 43%, enquanto a desaprovação caiu de 57% para 53%, entre junho e julho de 2025.

Naquele período, Lula também se beneficiou das derrapadas dadas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que endossava as sanções americanas contra o Brasil. Agora, no entanto, Flavio Bolsonaro tem evitado tratar do tema.

Ao anunciar as contratações para a Polícia Federal, Lula elogiou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e endossou a reciprocidade diplomática aos Estados Unidos, no tom de “toma lá, dá cá”:

“Parabéns pela sua posição em relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltar a normalidade”, disse Lula.

Apesar reforçar o discurso de soberania, o presidente não deve pesar a mão nas críticas a Donald Trump. O governo brasileiro segue trabalhando na possiblidade de um encontro entre Lula e Trump na Casa Branca e não pretende estressar a relação com Washington a ponto de inviabilizar a ida do petista aos EUA. Na quinta-feira, Lula falou que quer levar jabuticaba e maracujá para Trump “se acalmar”.

Na quarta-feira, Rodrigues, anunciou a retirada das credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil. O oficial era um policial americano que trabalhava dentro de uma unidade da PF em Brasília. A partir de agora, o agente deixa de ter acesso à unidade e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos. O chefe da PF afirmou que esse procedimento foi mesmo que aconteceu com o delegado brasileiro que atuava em Miami.

A medida ocorreu após o governo Donald Trump pedir a retirada dos Estados Unidos do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano.

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1 Comentário
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Carlos Heinze
23 de abril de 2026 19:45

tiraram o crachá do cara, kkkk

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