Domingo, 27 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de outubro de 2018
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu para o STF (Supremo Tribunal Federal) suspender a tramitação de uma ação penal em que o petista é réu pelo suposto recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht por meio da aquisição de um terreno para o Instituto Lula até a decisão de comitê da ONU (Organização das Nações Unidas). O processo está sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Os advogados de Lula querem que o caso seja retomado somente após o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas julgar uma ação em que o petista afirma que seus direitos civis e políticos foram violados por Moro. O processo foi distribuído para o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no STF.
A defesa do ex-presidente ainda pediu para o primeiro termo da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci ser retirado do processo, sob a alegação de que o Moro tentou interferir nas eleições presidenciais ao anexar o documento na ação a seis dias do primeiro turno das eleições presidenciais.
Os advogados também querem que o prazo para a apresentação das alegações finais da defesa de Lula só se inicie após a apresentações das alegações finais das defesas dos réus que fizeram delação premiada, como Marcelo Odebrecht.
Haddad elogiou Moro mas avalia que ele errou com Lula
O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad , elogiou a atuação do juiz Sérgio Moro na condução da operação Lava-Jato. Porém, o petista também fez reparos ao magistrado.
Em recente entrevista ao SBT, o presidenciável foi questionado se considerava que Moro ajudou o Brasil ou perseguiu o PT e Lula.
“Eu acho que, em geral, ele ajudou. Em relação à sentença do Lula tem um erro que vai ser corrigido pelos tribunais superiores porque não apresentou provas contra o presidente”, respondeu Haddad.
O petista ainda fez ressalvas com relação à soltura de delatores.
“Em geral, fez um bom trabalho, embora tenha soltado muito precocemente os empresários e liberado dinheiro roubado para esses empresários gozarem a vida. No geral, o saldo é positivo, mas há reparos”, concluiu.
Além disso, Haddad afirmou na entrevista que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está numa “saia-justa” para apoiá-lo porque muitos candidatos a governador do PSDB se declaram a favor de Jair Bolsonaro (PSL).
Moro nega influência nas eleições
Em documento entregue ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato, negou que tenha tentado influenciar as eleições deste ano ao divulgar, pouco antes do primeiro turno, uma parte da delação do ex-ministro Antonio Palocci com denúncias ao PT . O partido, que se sentiu prejudicado, acionou o CNJ para apurar a conduta do magistrado . Em resposta, Moro disse que alguns agentes do PT querem intimidá-lo e “cercear decisões da Justiça que contrariam os seus interesses partidários”.
“Não foi, ademais, o Juízo quem inventou o depoimento de Antônio Palocci Filho ou os fatos nele descritos”, anotou o juiz. Moro destacou ainda que, além do que já foi divulgado, “há outros depoimentos, alguns mais contundentes”, que ainda estão sob sigilo. Afirmou também que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da delação, sequer era candidato. Ele foi substituído por Fernando Haddad, atual candidato do PT a presidente que, segundo Moro, não foi citado por Palocci.
“Caso fosse intenção deste Juízo influenciar nas eleições teria divulgado a gravação em vídeo do depoimento, muito mais contundente do que as declarações escritas e que seria muito mais amplamente aproveitada para divulgação na imprensa televisiva ou na rede mundial de computadores. O fato é que o Juízo não pode interromper os seus trabalhos apenas porque há uma eleição em curso”, escreveu Moro.
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