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Brasil Lula pediu a íntegra do depoimento do delator que diz ter sido quase coagido

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A defesa de Lula contestava uma perícia autorizada pelo então juiz Sérgio Moro. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ex-presidente Lula pediu acesso à íntegra do depoimento em que Carlos Armando Paschoal, um dos delatores da Odebrecht, afirmou à Justiça que foi “quase coagido” por procuradores da Operação Lava-Jato a “fazer um relato” sobre as obras da empreiteira no sítio que o ex-presidente frequentava, em Atibaia. “Tive que construir um relato”, afirmou ainda Paschoal, que é testemunha numa ação de improbidade administrativa que corre na 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo.

Corrida

Lula, que já foi considerado abatido e envelhecido por petistas após meses de prisão, está “muito bem fisicamente, correndo nove quilômetros por dia na esteira”, segundo o escritor Emir Sader após visita na tarde da última quinta-feira (18).

O relato foi compartilhado pela página oficial de Lula no Instagram, junto de uma foto do ex-presidente na acadêmia. Ainda segundo a publicação, o escritor esteve acompanhado do ex-presidente da Argentina Eduardo Duhalde.

Palestras

Um inquérito aberto para investigar uma empresa de palestras de Lula é um dos casos que podem ser afetados pela decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender investigações que tenham usado dados detalhados de órgãos como o Coaf sem autorização judicial.

O inquérito sobre a LILS, empresa de palestras de Lula, foi instaurado em Curitiba em novembro de 2015 e continua em andamento. A investigação começou na esteira de um relatório feito pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) em junho daquele ano e tornado público em agosto, em reportagem da revista Veja.

A autorização para a quebra de sigilo da LILS, dada pelo então juiz Sérgio Moro, veio em 1º de setembro de 2015 – depois, portanto, do relatório do Coaf. O relatório do órgão de inteligência mostrava que a firma de Lula recebera cerca de R$ 27 milhões de 2011 a 2014, sendo R$ 9,8 milhões de empreiteiras investigadas na Lava-Jato.

As empresas eram a Odebrecht (R$ 2,8 milhões), a Andrade Gutierrez (R$ 1,9 milhão), a OAS do Brasil, dos EUA e da Costa Rica (R$ 1,9 milhão), a Camargo Corrêa (R$ 1,4 milhão), a Queiroz Galvão (R$ 1,1 milhão), a UTC Engenharia (R$ 357 mil) e a Quip (R$ 378 mil), uma sociedade entre quatro empreiteiras que prestava serviços à Petrobras.

Em 2017, a Justiça bloqueou o saldo de duas aplicações em previdência privada do ex-presidente. Uma estava no nome da empresa LILS, com saldo de R$ 7,19 milhões, e outra, no nome de Lula, no valor de R$ 1,8 milhão. Os valores permanecem bloqueados, à espera do desfecho do inquérito. O advogado de Lula, Cristiano Zanin, disse que vai analisar se a investigação sobre as palestras do ex-presidente se enquadra na decisão de Toffoli.

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