Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2026
Após receber apelos de aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a demonstrar uma postura menos resistente em relação à possibilidade de se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo relatos de dois ministros do Palácio do Planalto à coluna de Bela Megale, do jornal O Globo, Lula ainda mantém o descontentamento com a atuação de Alcolumbre, mas já indicou que a conversa entre os dois deve ocorrer. Um dos integrantes do governo avalia que o encontro pode ser realizado ainda nesta semana, após o retorno do presidente da viagem à França, onde participa da reunião do G7.
A expectativa do governo é que uma aproximação entre os dois ajude a destravar propostas consideradas prioritárias no Senado, especialmente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da adoção da escala de trabalho 6×1. O texto está sem andamento na Casa desde que foi encaminhado pela Câmara dos Deputados, em 28 de maio.
A mudança de postura ocorre depois de uma série de articulações de aliados, que tentaram convencer Lula de que uma reaproximação com Alcolumbre seria necessária para avançar projetos de interesse do Executivo, como a PEC da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Inicialmente, porém, o presidente rejeitou a possibilidade de diálogo e demonstrou forte insatisfação com o comandante do Senado.
A interlocutores que defendiam uma postura mais pragmática e a construção de um acordo político com Alcolumbre, Lula teria respondido de forma crítica, utilizando uma expressão de tom pejorativo. Segundo relatos, o presidente questionava a possibilidade de um entendimento com o senador e afirmava que qualquer compromisso firmado poderia acabar prejudicando ainda mais o governo, sem garantir resultados concretos.
Na avaliação de Lula, Alcolumbre já teria demonstrado falta de confiança em episódios recentes, o que dificultaria a construção de uma relação política estável. Por esse motivo, o presidente chegou a indicar a aliados que pretendia postergar a aproximação e aguardar o desenrolar dos acontecimentos.
O afastamento entre os dois se intensificou após a articulação que resultou na rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril. Desde então, Lula e Alcolumbre não tiveram uma reunião privada.
Na ocasião, o presidente do Senado atuou contra a aprovação do nome indicado pelo governo e reuniu apoio de diferentes grupos políticos, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes. A articulação resultou em uma derrota histórica para Lula: Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, enquanto eram necessários 41 votos para sua aprovação.
O último momento em que Lula e Alcolumbre estiveram no mesmo ambiente ocorreu durante a posse do deputado Odair Cunha (PT-MG) como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de participarem da mesma cerimônia e circularem pelos bastidores do evento, os dois evitaram uma aproximação ou qualquer cumprimento público. (Com informações das colunistas Bela Megale e Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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