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Brasil Lula tenta reatar com as suas bases eleitorais e promove retorno às origens

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Lula em visita a assentamento do MST em Pernambuco (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Há duas semanas, fotografias de um Luiz Inácio Lula da Silva de camisa social e blazer deram lugar, nas redes sociais, a um retrato em que o ex-presidente aparece de guaiabeira vermelha – uma típica vestimenta cubana – e chapéu de cangaceiro.

Não foi por acaso. A troca é o símbolo mais evidente de uma guinada estratégica que o petista vem formulando internamente para tentar reatar com suas bases eleitorais e sobreviver politicamente. Não chega, porém, a ser uma tática inédita. Em sua trajetória, o ex-presidente sempre voltou às origens nos momentos de crise.

Mas ele nunca havia passado por uma situação tão dramática. O ex-presidente viu seu patrimônio e legado político derreterem nos últimos meses com o avanço da Operação Lava-Jato. Foi denunciado sob acusação de tentar obstruir as apurações e é investigado por suposta ligação com imóveis que teriam sido reformados por empreiteiras alvos da operação.

Segundo a última pesquisa Datafolha, Lula é rejeitado por 46% do eleitorado – o pior índice entre os testados para a eleição presidencial de 2018. Apesar de liderar os cenários para o primeiro turno, não aparece numericamente à frente de nenhuma hipótese de segundo turno. O ápice do desgaste culminou com o afastamento de sua afilhada política, Dilma Rousseff, da Presidência.

Nesse cenário, Lula decidiu mergulhar no ambiente que lhe é mais afeito. Passou a priorizar agendas com movimentos de esquerda e viagens ao Nordeste – na região, é o presidenciável preferido para 39% da população.

Seguindo a mesma lógica, a cúpula do PT quer priorizar sua participação nas eleições municipais às periferias das grandes cidades, principalmente em São Paulo. Durante convenção que formalizou a candidatura à reeleição do prefeito Fernando Haddad, no domingo (24), Lula mais uma vez usou o chapéu de cangaceiro e disse que era preciso “ir para a periferia falar com nosso povo”.

Diante da rejeição ao PT na cidade e dos 8% de intenção de votos de Haddad na pesquisa Datafolha, a ordem na sigla é reconquistar o eleitorado petista, que perdeu musculatura nos últimos anos. Lula tem se dedicado pessoalmente a isso, de olho não só nas eleições municipais, mas em sua biografia. (Folhapress)

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