Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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Brasil O ex-presidente Lula prestou depoimento como testemunha do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral sem deixar a Polícia Federal em Curitiba, onde está preso

Ex-presidente se entregou às autoridades no dia 7 de abril. (Foto: Instituto Lula)

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha de defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) foi dado na manhã desta terça-feira (05) de dentro da Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR), onde o petista está preso há quase dois meses.

Inicialmente estava previsto o deslocamento de Lula para a Justiça Federal do Paraná. Mas, atendendo a pedido da defesa do ex-presidente e do Ministério Público Federal, o local do depoimento por videoconferência ao juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, foi alterado.

Técnicos da Justiça Federal tiveram que instalar equipamentos na Superintendência da PF em Curitiba a fim de permitir o depoimento – a primeira fala pública do ex-presidente desde que ele foi preso em decorrência da condenação na ação penal referente ao triplex em Guarujá (SP)0.

Lula depõe como testemunha de defesa de Cabral na ação penal que apura suposto pagamento de propina a membros do COI (Comitê Olímpico Internacional) para a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

O petista, assim como Cabral, esteve em Copenhague, na Dinamarca, em outubro de 2009 para conversar com eleitores do COI sobre a candidatura da cidade. De acordo com a acusação do Ministério Público Federal, o senegalês Lamine Diack recebeu US$ 2 milhões dias antes da escolha para votar na cidade brasileira. Há a suspeita de que outro integrante do COI também tenha recebido valores.

Caso se deslocasse para a Justiça Federal do Paraná para depor, essa seria a primeira vez que o ex-presidente deixaria a Superintendência desde que foi preso. Os advogados do petista, contudo, solicitaram que ele fosse ouvido na PF a fim de evitar os gastos decorrentes de um eventual deslocamento.

Cabral, por sua vez, pediu para assistir pessoalmente ao depoimento de Lula – o que nunca havia feito com outras testemunhas. Ele não poderá fazer perguntas, apenas por meio de seu advogado, Rodrigo Roca.

ONU

Com as indicações de que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve indeferir o registro da candidatura de Lula, a defesa do petista torce por uma decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) que possa constranger o tribunal.

Acionado pelo ex-presidente, o colegiado internacional admitiu avaliar artigo que trata do direito de votar e de ser eleito. A aposta dos advogados de Lula é de que uma decisão da ONU favorável a ele, ainda que posterior ao resultado da disputa deste ano, poderia alimentar discurso sobre a ilegitimidade da eleição.

Plano B

A decisão do STF de acabar com a prerrogativa de foro para congressistas ampliou as opções de “plano B” no PT caso o ex-presidente Lula seja impedido de disputar a eleição. Alvo da Lava-Jato, a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, entrou na lista de cotados. Ela tem sinalizado que irá disputar vaga de deputada federal, mas, sem a garantia de que manterá seus casos no Supremo, pode acabar assumindo a vaga de candidata ao Planalto. Jaques Wagner, também investigado, planeja disputar o Senado e diz que não aceitará outra missão.

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