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Economia Lula volta da Ásia sem grande anúncio comercial, mas com frutos diplomáticos

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua chegada à Base Aérea de Seul, na Coreia do Sul. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Não há um único grande anúncio como resultado da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Coreia do Sul na última semana. Enquanto na área comercial o brasileiro volta para casa com reveses e avanços, o saldo é positivo na agenda diplomática.

Tanto em Seul como em Nova Déli, o presidente anunciou novos investimentos e parcerias no setor privado, além de acordos na área da saúde. Fez a manutenção do relacionamento com o primeiro-ministro Narendra Modi e elevou o status da relação com o presidente sul-coreano Lee Jae-Myung.

Por outro lado, em nenhum dos casos conseguiu voltar com acordos fechados no agronegócio, uma das principais pautas da agenda na Ásia.

Acompanhado de grande comitiva de ministros, entre eles o da Agricultura, Carlos Fávaro, o governo tinha como objetivo negociar as tarifas do frango na Índia, que hoje estão em 100% para os cortes da proteína e 30% para o frango inteiro, inviabilizando a competitividade das empresas brasileiras naquele mercado.

Apesar da expectativa, não houve acordo. Mesmo com Fávaro sinalizando que estaria disposto a abrir o mercado de romã, pleiteado pelos indianos, a delegação voltou ao Brasil sem grande avanço nas negociações.

Já em Seul houve avanço nas tratativas para a abertura do mercado de carne bovina, mas, por enquanto, apenas palavras. Segundo o governo, o presidente sul-coreano afirmou que o país fará auditoria nas plantas frigoríficas para verificar se o Brasil atende aos requisitos sanitários e de qualidade necessários para concluir a negociação.

Não há prazo, porém, para a realização da vistoria ou para a conclusão das conversas.

Nos dois países, o governo também assinou acordos que envolvem ou tratam diretamente de minerais críticos e terras raras. Eles servem, porém, como exemplo de intenção, visto que não estabelecem prazos, investimentos ou obrigação de cumprimento.

Por outro lado, eventos promovidos pela Apex (Agência Brasileira de Promoção à Exportação e Investimento) reuniram centenas de empresários. Em Seul, 450 gestores dos dois países compareceram; já em Nova Déli foram cerca de 900 inscritos.

Na capital indiana, em reunião de Lula com CEOs de algumas das maiores empresas indianas, como o executivo do Tata Group, Natarajan Chandrasekaran, foram anunciados investimentos no valor de R$ 10 bilhões no “curto prazo”, segundo a Apex. Não foi detalhado o período.

O presidente também se reuniu com representantes de conglomerados sul-coreanos, como Samsung, LG e Hyundai. Não foram anunciados novos investimentos, embora relato da Apex sobre o encontro afirme que os empresários sinalizaram interesse em ampliar aportes no Brasil.

Nos dois países, a relação com o Mercosul foi pauta, com a Índia sinalizando a vontade de aprofundar o escopo do tratado com o bloco econômico, e o presidente sul-coreano afirmando que as negociações para um acordo comercial, pausadas em 2021, serão retomadas.

Lula disse ainda que o acordo entre Mercosul e a Coreia pode sair ainda este ano.

O movimento se alinha ao cenário mundial em que países buscam depender cada vez menos de poucos atores, principalmente Estados Unidos e China, que detêm liderança em diversas cadeias de produção e criam instabilidade para outras nações.

A convite do primeiro-ministro Narendra Modi para uma visita de Estado e participação em uma cúpula de inteligência artificial, o presidente protagonizou cenas de parceria com o líder indiano, em claro movimento de manutenção do relacionamento entre os países.

Já na Coreia do Sul, palavras de afeto entre Lula e Lee deram o tom das reuniões, com o sul-coreano afirmando que a infância comum entre eles os aproxima. “Trata-se de uma amizade de meninos operários”, disse Lee durante seu brinde no banquete de Estado.

Desde a última visita de Lula a Seul, em 2005, nenhum presidente do Brasil havia viajado ao país em visita de Estado. Lula declarou que isso é “incompatível” com as relações entre as nações.

Na viagem de volta, uma escala surpresa o levou a uma breve parada em Abu Dhabi, onde se reuniu com o líder do país, o xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, em uma “reunião de trabalho”, segundo a agenda do presidente.

O Planalto afirma que o encontro foi focado na cooperação em comércio e investimentos e que os líderes expressaram a vontade de concluir rapidamente o acordo entre o país árabe e o Mercosul, além de destacarem a necessidade de paz no Oriente Médio.

Não houve anúncios comerciais sobre o encontro na capital árabe. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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