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Política Lulinha vira alvo de terceira investigação, agora sobre suspeitas de tráfico de influência junto à Dataprev

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A defesa de Lulinha confirmou, em março deste ano, que ele viajou para Portugal com Camilo Antunes em novembro de 2024. (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal (PF) vai investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelos crimes de tráfico de influência e corrupção em dois inquéritos diferentes.

Na quinta-feira (30), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a PF a investigar de Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde.

Camilo Antunes é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da PF na Operação Sem Desconto.

O outro inquérito, autorizado por Mendonça nesta sexta-feira (31), investigará se o filho do presidente Lula fez tráfico de influência na Dataprev, empresa pública responsável pela gestão de dados sociais do governo federal, em especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entenda a investigação contra ele:

Por que Lulinha é investigado?

Segundo a Polícia Federal, as investigações não tratam das fraudes no INSS. Um inquérito apura uma possível atuação de Lulinha para favorecer Camilo Antunes em negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal. A suspeita é que ele tenha usado sua influência para facilitar reuniões do lobista com integrantes do Ministério da Saúde.

A outra investigação vai analisar uma possível atuação de Lulinha na Dataprev.

Qual era o negócio investigado?

De acordo com a PF, Camilo Antunes tentou fechar, em 2024 e 2025, um contrato com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. O contrato, porém, nunca foi assinado.

A investigação aponta ainda que o lobista contratou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar oportunidades de negócios para a empresa World Cannabis.

A defesa de Roberta afirma que não houve irregularidades e nega qualquer repasse de dinheiro ao filho do presidente.

Ainda não há detalhes da atuação na Dataprev.

Quem é o Careca do INSS?
Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões investigado na Operação Sem Desconto. Ele está preso desde setembro do ano passado.

As fraudes também foram alvo de investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

O Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde?
Sim. Em janeiro de 2025, Camilo Antunes participou de uma reunião com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.

Em nota, Berger afirmou que o encontro ocorreu dentro das atribuições do cargo, sem qualquer interferência externa, e ressaltou que a reunião não teve desdobramentos porque o ministério não demonstrou interesse na contratação dos produtos.

Qual é a relação entre Lulinha e o Careca do INSS?
A defesa de Lulinha confirmou, em março deste ano, que ele viajou para Portugal com Camilo Antunes em novembro de 2024.

Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, a viagem foi feita a convite do lobista para visitar uma fábrica de medicamentos à base de cannabis medicinal.

A defesa afirma que:

Lulinha conheceu Camilo por intermédio da empresária Roberta Luchsinger;
a viagem não resultou em qualquer parceria comercial ou contrato;
todas as despesas foram pagas por Camilo Antunes;
o objetivo da viagem era apenas conhecer o processo de produção de canabidiol.
Foi a primeira vez que a defesa admitiu publicamente a relação entre os dois.

Lulinha é investigado pelas fraudes no INSS?
Não. Segundo a Polícia Federal, o novo inquérito trata de suspeitas relacionadas ao Ministério da Saúde.

Apesar disso, no curso das investigações sobre o INSS, Lulinha teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Polícia Federal, em janeiro deste ano, e posteriormente pela CPMI do INSS, no fim de fevereiro.

O que diz a defesa?
O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que a Polícia Federal não encontrou indícios de participação de Lulinha nas fraudes do INSS e, por isso, teria aberto uma nova investigação sobre outro tema.

A defesa sustenta que:

Lulinha nunca participou do esquema investigado no INSS;
não tinha conhecimento das irregularidades;
nunca recebeu recursos desviados de aposentadorias e pensões;
não possui relação com os negócios de Roberta Luchsinger;
jamais exerceu tráfico de influência para beneficiar Camilo Antunes.

Após a abertura do inquérito para apurar a atuação na Dataprev, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, chamou a decisão de “lamentável” e afirmou que não há nenhum fato que justifique a abertura do inquérito.

“A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indiretacom qualquer tipo de irregularidade”, disse. Com informações do portal G1.

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