Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de janeiro de 2016
O relatório final sobre a queda do helicóptero que matou o ex-jogador Fernandão e mais quatro pessoas, divulgado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), tirou o sono da mãe do ex-atleta, Marli Ribeiro da Costa. Ela diz que aguardava o documento com ansiedade, mas esperava que ele apontasse uma falha mecânica, e não erros do piloto Milton Ananias.

Mãe de Fernandão, Marli, com o filho. (Foto: Reprodução)
“Eu estava muito ansiosa por esse laudo e fui dormir quase às 4h [da terça-feira, 19] após ter recebido a notícia. Eu acreditava que ele me traria respostas, mas não queria que ele apontasse falha humana, e sim no helicóptero. Mas o resultado me entristeceu ainda mais, pois o piloto era uma pessoa muito maravilhosa e jamais iria fazer algo para colocar meu filho ou ele mesmo em risco. Errar é humano”, disse.
Segundo ela, Fernandão “confiava muito no piloto” e, apesar dos erros no voo citados pelo Cenipa, não o culpa. “Um ano e meio após o acidente fica fácil atribuir a responsabilidade a apenas uma pessoa. Mas meu filho respeitava e admirava muito o Milton. Por isso fico com uma dor enorme no coração pela família dele”, afirmou.
A queda do helicóptero que matou o ídolo do Goiás e do Internacional, Fernando Lúcio da Costa, de 36 anos, o Fernandão, aconteceu no dia 7 de junho de 2014, em Aruanã, a 315 quilômetros de Goiânia. Além dele e do piloto, também morreram Antônio de Pádua, conhecido como Bidó, primo do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSBD); Edmilson de Sousa Lemes, cabo da PM e presidente da Câmara Municipal de Palmeiras de Goiás; e Lindomar Mendes Vieira. A aeronave caiu por volta de 1h30min logo após o grupo deixar um acampamento às margens do Rio Araguaia em direção à cidade. O helicóptero foi encontrado ainda próximo ao rio, em uma faixa de areia.
Segundo o relatório do Cenipa, Milton Ananias não havia feito o consumo de bebidas alcoólicas. Mesmo assim, ele errou ao fazer um voo noturno, já que não tinha habilitação para isso. Ainda de acordo com o relatório, outra falha do piloto, que era muito experiente, pois trabalhou por dez anos na Polícia Militar, foi estender a jornada de trabalho além do que determinam as regras da aviação. Tudo isso, segundo o Cenipa, contribuiu para a queda do helicóptero.
Voo noturno.
A mãe do Fernandão diz que, após ter tido acesso às informações, apenas se questionou sobre os motivos da escolha pelo voo noturno. “Fiquei pensando porque o piloto não alertou o meu filho de que era perigoso voar à noite e o convenceu a ir só na manhã seguinte. Até acho que essa foi sim uma falha dele, mas tenho certeza de que não foi intencional”, disse.
Com isso, ela afirma que não atribui a culpa pelo acidente ao piloto. “Eu tenho gratidão ao Milton pelo amigo que ele foi para o Fernando e toda a nossa família, então não o culpo. Ele era um ser humano incrível e também merece ter a memória preservada”, destacou Marli, que ressaltou que nada vai amenizar a dor da perda do filho. “Nada fará ele e as outras vítimas voltarem, então, apenas peço que todos estejam em paz”. (AG)
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