Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de outubro de 2026
Mais da metade dos senadores que compõem ou devem integrar a bancada favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é ou já foi alvo de investigações, medidas investigativas ou ações penais na própria Corte. Todos os parlamentares citados foram procurados pela reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
O levantamento do portal Estadão identificou que, entre os 49 senadores eleitos ou em exercício que já manifestaram publicamente apoio ao impeachment de ministros do STF, 25 foram investigados, responderam a ações penais ou sofreram medidas investigativas autorizadas pela própria Corte. Entram nessa conta casos arquivados, absolvições e investigações posteriormente remetidas a outras instâncias, desde que o STF tenha autorizado medidas investigativas contra os parlamentares antes da transferência.
Todos os citados da reportagem foram procurados, mas nenhum deles se manifestou.
A bancada favorável ao impeachment ganhou força nas eleições de 2026. Entre os 31 senadores eleitos que se declararam favoráveis ao afastamento de ao menos um integrante da Corte, 18 têm histórico de investigações, ações penais ou medidas investigativas autorizadas pelo STF.
Os parlamentares argumentam que ministros não estão acima da lei e devem responder por eventuais crimes de responsabilidade. O grupo defende ainda que o Senado exerça sua prerrogativa constitucional de processar e julgar integrantes do tribunal, como forma de preservar o equilíbrio entre os Poderes e recuperar a credibilidade do Supremo.
Entre os eleitos que defendem o impeachment está Carlos Jordy (PL-RJ), que foi alvo de duas operações da Polícia Federal autorizadas por ministros do STF. Em janeiro de 2024, Alexandre de Moraes determinou buscas contra o então deputado na Operação Lesa Pátria, que investigava suspeitas de envolvimento na organização de atos antidemocráticos após as eleições de 2022.
Quase dois anos depois, em dezembro de 2025, Jordy voltou a ser alvo de buscas, desta vez autorizadas por Flávio Dino, em uma investigação sobre suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar. Nas duas ocasiões, o parlamentar negou irregularidades e acusou as operações de terem caráter intimidatório.
Outro nome da bancada atingido por decisões do Supremo é o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil). Em agosto de 2026, Dino autorizou uma operação da Polícia Federal para investigar suspeitas de desvio de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o governo estadual e uma empresa de telefonia privada. Mendes teve o passaporte recolhido e foi proibido de manter contato com outros investigados. Na ocasião, negou irregularidades.
Em Goiás, o senador eleito Gustavo Gayer (PL) também teve seu nome envolvido em uma investigação conduzida sob supervisão de Moraes. Em outubro de 2024, o ministro autorizou uma operação da Polícia Federal para apurar suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar.
A investigação aponta que dinheiro público teria sido utilizado para custear atividades particulares ligadas ao deputado. Em dezembro de 2025, Gayer foi indiciado pela PF por crimes como peculato, associação criminosa e falsidade ideológica. Parte do processo permanece sob sigilo. O parlamentar negou irregularidades e atribuiu o indiciamento à sua defesa do impeachment de ministros do Supremo.
O histórico judicial de parte da bancada também inclui investigações que deixaram o Supremo, mas nas quais ministros da Corte chegaram a autorizar medidas contra os parlamentares.
Eleito senador por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão do presidenciável Flávio Bolsonaro, foi apontado pela Polícia Federal como um dos possíveis articuladores do chamado “gabinete do ódio”, grupo suspeito de disseminar notícias falsas e promover ataques a autoridades e instituições durante o governo de seu pai. A atuação do grupo foi apurada no inquérito das fake news, que permanece sob sigilo e esteve sob a condução de Moraes até setembro deste ano, quando Edson Fachin, presidente do STF, assumiu sua relatoria.
Carlos também foi alvo de buscas autorizadas por Moraes em janeiro de 2024, quando a PF apreendeu seu celular na investigação sobre o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro. Indiciado em junho de 2025, foi apontado pelos investigadores como integrante do núcleo político do esquema. Em julho deste ano, Moraes determinou a remessa dessa investigação à primeira instância da Justiça Federal, preservando as provas e diligências já realizadas. (Com informações do portal Estadão)
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