Quarta-feira, 11 de março de 2026
Por Redação O Sul | 11 de março de 2026
O cronograma de liberação ainda será definido.
Foto: ReproduçãoOs 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram nesta quarta-feira (11) em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência para tentar conter a alta no preço dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.
Trata-se da maior liberação de estoques já realizada pela entidade. Até então, o recorde havia sido de 182,7 milhões de barris, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
O cronograma de liberação ainda será definido.
“A pressão veio principalmente do governo dos Estados Unidos, que defende essa liberação”, afirmou um diplomata da União Europeia.
Mais cedo, Alemanha, Áustria e Japão — países que integram a AIE — já haviam anunciado que pretendiam disponibilizar parte de suas reservas.
O Ministério da Economia do Japão informou que planeja liberar cerca de 80 milhões de barris de estoques públicos e privados. O Reino Unido, por sua vez, afirmou que contribuirá com 13,5 milhões de barris.
A guerra no Oriente Médio tem pressionado os preços do petróleo, que voltaram a subir nesta quarta-feira após o bloqueio no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos no mundo. Navios foram atacados na região nos últimos dias.
Atualmente, os países membros da AIE mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos emergenciais de petróleo, além de cerca de 600 milhões de barris mantidos pela indústria por exigência governamental.
Segundo a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, os Estados Unidos e o Japão deverão ser os principais responsáveis pela liberação emergencial.
O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, comentou a decisão e afirmou que o momento é adequado para utilizar parte das reservas estratégicas.
“Este é o momento perfeito para pensar em liberar parte dessas reservas para aliviar um pouco a pressão sobre o preço global”, disse em entrevista à Fox News.
Apesar disso, Burgum afirmou não acreditar que o mundo esteja enfrentando uma escassez de energia.
“Temos um problema de transporte, que é temporário”, declarou. “É uma dificuldade momentânea de trânsito que estamos resolvendo militar e diplomaticamente.”
Ritmo de liberação
A ministra da Economia da Alemanha afirmou que a entrega das primeiras quantidades deve começar nos próximos dias.
Analistas ouvidos pela Reuters destacam que o ritmo diário da liberação dos estoques pode ser tão ou mais relevante do que o volume total anunciado.
Caso 100 milhões de barris sejam liberados ao longo de um mês, por exemplo, isso representaria cerca de 3,3 milhões de barris por dia.
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