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Brasil Mais de 31 mil bacharéis em Direito que querem ser juízes farão o Exame Nacional da Magistratura neste domingo em todas as capitais do país

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O exame se tornou uma etapa obrigatória para bacharéis em Direito que desejam ingressar na magistratura. (Foto: Freepik)

O Exame Nacional da Magistratura (Enam) chega neste domingo (7) à sua quinta edição com mais de 31 mil inscritos.

Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para uniformizar o acesso aos concursos para juiz em todo o país, o exame se tornou uma etapa obrigatória para bacharéis em Direito que desejam ingressar na magistratura.

A aprovação não garante uma vaga como juiz, mas é requisito para participar de seleções da magistratura federal, estadual, trabalhista e militar. O certificado tem validade de dois anos, prorrogável uma única vez por igual período.
Segundo o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), Benedito Gonçalves, a prova foi elaborada não para testar a simples memorização de leis, mas para avaliar a capacidade dos candidatos de interpretar e solucionar situações concretas.

“Nós temos que fugir daquele candidato que vira uma máquina de fazer prova (…) Não é decorar artigo de lei ou da Constituição (…) a prova valoriza o raciocínio, a resolução de problemas e, o mais importante de tudo, a vocação para a magistratura”, afirma.

Na avaliação do ministro, o Enam surgiu da necessidade de ampliar o acesso à magistratura. Ele afirma que, embora o concurso público seja tradicionalmente uma porta de ascensão social, a carreira de juiz ainda é percebida por muitos brasileiros como um caminho distante.

“O concurso de juiz não é democrático, não é acessível, no modo como ele se apresenta objetivamente (…) A dificuldade acaba criando um muro na cabeça das pessoas, que passam a acreditar que aquela carreira não é para elas, mesmo sendo um concurso público”.

A criação do exame está ligada à Reforma do Judiciário promovida pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, que fortaleceu tanto o CNJ quanto a Enfam.

A proposta que deu origem ao Enam foi relatada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, e estabeleceu uma habilitação nacional prévia.

“A ideia foi instituir uma habilitação nacional, criando um processo mais uniforme para todo o país e garantindo um modelo idôneo de acesso”, explica.

Na avaliação do ministro, os números desta edição mostram que o exame vem ampliando a diversidade entre os interessados na carreira de juiz.

As mulheres são maioria entre os inscritos, com mais de 17 mil candidaturas. Entre os participantes também há cerca de 5 mil pessoas negras, 1.700 pessoas com deficiência, além de 41 indígenas e 18 quilombolas.

“O Enam veio olhar para outra camada da sociedade”, afirmou. “Ele alcança pessoas que muitas vezes não se viam nesse espaço.”

Segundo ele, a ampliação da participação produz um efeito simbólico importante.

“Quando alguém vê um semelhante participando ou conseguindo, pensa: ‘se ele conseguiu, eu também posso’. Isso ajuda a romper barreiras que muitas vezes são invisíveis.”
Após cinco edições, a Enfam afirma já observar resultados concretos da iniciativa. Atualmente, há um banco de cerca de 17 mil pessoas habilitadas a disputar concursos para juiz em todo o país. Com informações do portal G1.

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